08 de julho de 2026

UFC no STF


| Tempo de leitura: 1 min

Acabamos de assistir a mais um confronto entre o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, e seu colega Ricardo Lewandowski. A razão é conhecida: Levandowski age de forma a encontrar meios de reduzir penas. Joaquim Barbosa o interpelou de forma dura, acusando-o de fazer “chicanas”. Chicana, no mundo jurídico, quer dizer dificuldade criada pela apresentação de argumento com base em detalhe ou ponto irrelevante; abuso de recursos, tramóia. A dura interpelação de Barbosa custou-lhe críticas. Foi chamado de intempestivo, descontrolado, mal humorado. Entidades saíram em defesa ao pobre Lewandowski, que foi maltratado pelo malvado Joaquim.

Na década de 1990, Rorion Gracie criou nos EUA, campeonato onde lutadores se enfrentavam sem limites. Era o Vale Tudo, com a intenção de mostrar que o Jiu-Jitsu, especialidade dos Gracies, tinha supremacia sobre qualquer outro estilo. Transformou-se no UFC (Ultimate Fight Championship). Ainda há lutadores que gostam de “trocação”. Saem batendo, chutando, dando cotoveladas, e algumas vezes conseguem nocautear. Jiu-Jitsu é arte suave. É saber aproveitar movimentos leves, sinuosos, que acabam levando à submissão do adversário. Joaquim Barbosa é um trocador num ambiente do Jiu-Jitsu. Faz barulho, tira sangue, nocauteia. Esse é seu estilo, no qual se sente bem. Quando acerta, é nocaute, mas tem gente que fica indignada.

O maior campeão de Jiu-Jitsu no UFC foi Royce Gracie, que bateu adversários mais pesados e agressivos, até encontrar especialistas em trocação que treinaram Jiu-Jitsu.Hoje, ganha quem dá porrada quando precisa e parte para a arte suave quando necessário.

Eu gosto do estilo de Joaquim. Falta ao Brasil gente assim, que chama as coisas pelo nome que elas têm, que explode quando se sente tratado como idiota. Que parte para a porrada quando acha que é preciso.

Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista