Nestas últimas décadas muito se tem falado em educação, mais precisamente dos entraves que sua péssima qualidade representa para os propósitos desenvolvimentistas do Brasil. Em meio a essa onda, muitos se aventuram a emitir opiniões vestidos de verdadeiros deuses, isto é, sabedores dos reais problemas e detentores de suas soluções.
Assim se comportam economistas e pesquisadores universitários. Enquanto os primeiros — com poucas exceções, não possuem formação pedagógica —, transformam friamente a realidade escolar em números, os pesquisadores se intitulam profundos conhecedores da realidade de sala de aula de ensino básico. Raros são os que realmente vivenciaram a escola pública e, por um considerável período puderam respirar sua atmosfera, reais problemas e suas possibilidades.
A ampla maioria sobrevive de dados coletados por seus orientandos e de teorias formuladas para realidades socioeconomicamente alheias à situação das escolas públicas brasileiras. Essas análises superficiais e permeadas de utopias alimentam políticas públicas que, como camisa de força, aprisionam a escola e seus principais personagens.
Todavia, todo esse vazio de ideias que contamina a escola pública só será superado quando seu mais importante personagem assumir seu papel, de fato. Refiro-me ao professor. De mero executor de programas idealizados por pessoas estranhas à escola, tem que se transformar em pesquisador.
Partindo da realidade convivida cotidianamente na sala de aula, esse profissional necessita incorporar o hábito de teorizar sobre sua própria prática, para que então possa elaborar estratégias mais pertinentes às necessidades de aprendizagem de seus alunos.
Basta, portanto, dessa educação pautada em discursos vazios, na qual muitos se colocam no direito de determinar rumos. Poucos são aqueles com conhecimento e experiência para opinar com propriedade sobre a escola pública. Afinal, professores e alunos não são cobaias de laboratório.
Dársio Cândido Batista
Pedagogo, professor, mestre em agronomia