Ela estava na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) na manhã de sexta-feira. Queria ter certeza de que o suspeito de matar seu marido iria se apresentar. O rapaz não apareceu. Frustração? Para a mulher do pedreiro Sinézio de Paula, 35, morto a tiros na noite do dia 19 na Vila São Sebastião, a dona de casa CCNV, 28, sim.
Ela diz que sabe quem é a pessoa que atirou e matou seu marido, mas tinha o desejo de, naquele momento, poder vê-lo e falar o que estava sentido. “Eu só queria dizer que ele não precisava ter feito aquilo. Bastava conversar, entrar em um acordo. Para tirar a vida dos outros, só Deus, não as pessoas”, disse.
Mãe de cinco filhos do relacionamento com o pedreiro morto, para CCNV, o assassinato não foi surpresa. “Ele [autor] já vinha ameaçando matar o Sinézio desde a primeira discussão em 2011. Meu marido foi separar uma briga e eles acabaram virando a cara um com outro.” Mas o suspeito, que é vizinho da família do morto e teria 19 anos, não era o único a fazer ameaças.
Em uma briga entre os dois em 2011, o rapaz sacou uma arma para atirar no pedreiro. O pai de Sinézio entrou na frente e foi atingido por um disparo no braço direito. Desde então, o pedreiro prometia se vingar. “O Sinézio, são, não falava e não fazia nada. Mas bêbado ou drogado, ele falava sim que iria vingar o que aconteceu com meu sogro.”
A mulher revelou, em entrevista na manhã de sábado em sua casa, que o marido teria sido atraído ao local do assassinato. Segundo ela, ele saiu para comprar mistura para o jantar, parou em um bar na rua Cláudio Silveira. Uma pessoa chegou em uma bicicleta e disse que estavam lhe chamando no bar do cruzamento das ruas Virgílio Polo com Batista Milani. No local, Sinézio foi atingido e morto por três tiros.
Mudou pelos filhos
No próximo mês de outubro, o casal completaria 13 anos de união. Do relacionamento nasceram cinco filhos - a mais velha, hoje, tem 12 anos, e a mais nova, 2 anos. As crianças ficaram sabendo da morte do pai no mesmo dia. “Eles ficaram agoniados. Os três mais novos estão doentes. A mais velha já apresentava quadro de depressão, e agora piorou”, disse a dona de casa.
E foi por causa dos filhos que Sinézio, antes de morrer, resolveu dar um novo rumo à sua vida. “Ele disse que não iria mais beber nem usar drogas. Parecia que estava adivinhando o que iria acontecer.”
Ainda de acordo com a mulher, o marido teria afirmado que não queria mais que os filhos o vissem passando “vergonha”.
Ex-presidiário, Sinézio de Paula vivia dos pequenos serviços que fazia como servente e pedreiro. Na sexta-feira, 16, conseguiu emprego de pedreiro com carteira assinada. “Ele sempre gostou de trabalhar de servente e pedreiro e estava alegrinho com a carteira assinada”, disse a mulher.
Na última segunda-feira o pedreiro foi trabalhar em Restinga, cidade onde nasceu. Retornou no final da tarde, contando que a sua terra natal estava bonita. “O Sinézio chegou cheio de planos, mas acabou morto horas depois.”