09 de julho de 2026

Senai Franca forma 2,2 mil por ano


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Com 16 anos, filho de sapateiros, renda média de um salário mínimo e cursando o ensino médio, o estudante Matheus Augusto Martins, 15, traduz o perfil de grande parte dos milhares de alunos que frequentam os cursos relacionados ao setor calçadista oferecidos pelo Senai em Franca. A instituição forma anualmente 2,2 mil profissionais e ajuda a empregar 85% deles.

E embora o Senai ofereça mais de 100 cursos em várias áreas, é o setor calçadista, com 30 opções, que concentra mais de 50% dos alunos. “A vertente da escola são os cursos do setor”, disse o coordenador de cursos, Sérgio Roberto Cintra, 43. Do total de alunos, 500 são aprendizes do curso gratuito de confeccionador eclético de calçados, 128 são alunos dos cursos técnicos em calçados ou design (ambos gratuitos) e 1.572 são de cursos de formação inicial e continuada, voltados a diversos segmentos da economia e que podem ser estruturados a partir de demandas das empresas.

Entre os cursos do setor calçadista, os destaques são os de pespontador, chanfrador, cortador, planejamento e modelagem. Cintra diz que eles chegam a registrar cinco interessados por vaga e têm lista de espera.

O interesse pelos cursos de é explicável principalmente pela alta possibilidade de inserção no mercado de trabalho. Estatísticas da escola mostram que o nível de empregabilidade dos alunos egressos do Senai no mercado de trabalho é alta, com índice que oscila entre 80% e 90% para os concluintes.

A parceria com empresas locais é o que, segundo Cintra, fomenta e mantém vivo o processo. “Estamos constantemente em relacionamento com as indústrias para alinhar ações de inserções dos concluintes no mercado, não esquecendo que são alunos e necessitam de aprimoramento e ritmo de trabalho dentro das empresas”, disse.

As boas chances de se obter um emprego com carteira assinada e as parcerias com empresas de peso no mercado foram os motivos que incentivaram Martins a investir na carreira que, para quem vem de uma família de sapateiros, surgiu como um caminho natural. Uma banca de pesponto forjada no quintal de casa deu o start para que ele buscasse no Senai meios de se tornar um expert na área. Aluno do segundo ano noturno da escola estadual “Professora Maria do Carmo Silva Ferreira”, pela manhã ele aprende no curso de confeccionador eclético do Senai e, à tarde, como menor aprendiz, aplica parte dos conhecimentos em uma indústria calçadista.

“Apesar de termos a banca em casa, quero seguir carreira trabalhando em fábrica”, disse.

Bruna Luísa Tonhatti Ferreira, 16, também é aprendiz do curso de confeccionador eclético de calçados. Aluna do primeiro ano do ensino médio da Escola Estadual “Torquato Caleiro”, Bruna tem compromissos que começam de manhã e terminam após às 23 horas, já que no período da tarde ela atua como pequena aprendiz em empresa calçadista. “Quero seguir aqui no Senai e fazer outros cursos, como o de designer, e continuar na modelagem”, disse.