Quando se pensa que o repertório de mancadas se esgotou, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) cria nova situação que denota bem o estilo que ele imprime à administração: a política da canetada. Depois do episódio constrangedor do lançamento da candidatura do ex-prefeito Sidnei Rocha a deputado federal, desta vez o chefe do Executivo francano determinou que servidores municipais da Saúde, a partir de 2 de setembro, passem a cumprir a carga horária integral de 40 horas semanais.
Acontece que a categoria (com algumas exceções), há pelo menos 23 anos trabalha 30 horas/semana. Inclusive, sob a administração de Alexandre Ferreira à frente da Secretaria da Saúde. Mais uma vez, o prefeito não mostrou para com os servidores a mesma condescendência com que tratou a empresa São José, desobrigando-a de pagar multas que recebeu por não cumprir o contrato. Foi como ele agiu com os professores, descontando um dia não trabalhado por causa de falta para participar de uma manifestação da categoria.
Ao não procurar a categoria, através dos seus sindicatos (dos Servidores Municipais e dos Profissionais de Enfermagem), Alexandre Ferreira continua marcando sua administração pela falta de diálogo e entendimento. Percebe-se que ele acredita na força de suas exigências, mas age de forma unilateral apenas para com os que estão nos níveis mais baixos na hierarquia. Não se sabe se há determinação no mesmo sentido para com médicos e outros servidores mais graduados.
Não se trata aqui de fazer a defesa dos atingidos. Se há 23 anos há um acordo tácito (mas não formalizado) de que seriam cumpridas apenas 30 horas de trabalho semanal, algo deveria ter sido feito antes, inclusive quando o atual prefeito ainda era secretário da Saúde, para oficializar a situação. Ou então exigido, oito anos atrás, o cumprimento da jornada original, de 40 horas. O que não se pode é achar normal que, de uma hora para outra, a Prefeitura imponha a exigência sem que ninguém tenha sido ouvido ou consultado.
Não se sabe o que move as decisões de Alexandre Ferreira. Mas ele precisa mostrar-se mais maleável e conciliador não apenas quando a decisão envolva pesos pesados como a Empresa São José. A categoria também precisa ser ouvida e os argumentos de todos ponderados. Não será em razão de uma determinação (ou decreto) oficial que os problemas verificados em todos os âmbitos da Prefeitura serão resolvidos. Enquanto não começar a agir como um administrador público que leva em conta a pertinência e a importância do diálogo, analisando os interesses de todos os segmentos da comunidade, o prefeito não vai conseguir fazer a máquina municipal funcionar.
Acredita-se que, diante da gritaria geral e das tentativas de se resolver a questão, Alexandre Ferreira pondere se a medida realmente trará benefícios à população francana. É preciso ver se não causará mais transtornos, principalmente diante do desgaste e do estresse a que estão sujeitos os profissionais de saúde, o que não seria benéfico para nenhum dos envolvidos.