Thais Leitão
Enviada Especial da Agência Brasil/EBC
É preciso mudar a cultura da população brasileira de correr sempre para o hospital quando há um problema de saúde. A opinião é do diretor-geral Ricardo Honorato, do Hospital Thomé de Medeiros Raposo, na cidade amazonense de Rio Preto da Eva (AM), a 80 quilômetros de Manaus. Segundo ele, na unidade de saúde que recebe casos de urgência e emergência de várias cidades da região são feitos, diariamente, cerca de 100 atendimentos. A maioria corresponde a casos que poderiam e deveriam ser resolvidos em postos e centros de saúde.
Ele também enfatizou que o índice de eficiência, considerado baixo, das ações nas unidades básicas de saúde contribuem para que os brasileiros sintam-se "mais seguros correndo para um hospital". "Muitas [unidades básicas] não estão equipadas e não têm estrutura para fazer inalação, curativos, pequenas suturas, observação por oito horas", acrescentou Honorato.
No Hospital Thomé de Medeiros Raposo, cada plantão de 24 horas conta com apenas um clínico geral para atender os casos de urgência e emergência. A maioria deles está ligada a acidentes de trânsito, ferimentos por arma de fogo ou arma branca e crises cardíacas. A estrutura é considerada suficiente para fazer o primeiro atendimento: o hospital conta com desfibrilador, central de oxigênio e de ar comprimido, além dos medicamentos necessários. Quando o caso exige cuidados mais complexos, as duas ambulâncias da unidade transferem o paciente para hospitais da capital Manaus.
Para fortalecer a atenção básica no país, o Ministério da Saúde lançou, em julho, o Programa Mais Médicos. Criada por medida provisória, a iniciativa tem o objetivo de levar esses profissionais a regiões carentes, como municípios do interior e periferias das grandes cidades. Além disso, o governo pretende investir R$ 15 bilhões, até 2014, na construção, ampliação e reforma de hospitais, unidades básicas, unidades de pronto-atendimento e hospitais universitários.