08 de julho de 2026

Um Brasil de desperdício


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Há muito se trata o desperdício como uma das principais mazelas do Brasil. E ele aparece em todos os setores, principalmente quando não há responsabilidade no trato com a coisa pública. O País gasta muito e gasta mal. Verbas públicas são descaradamente desviadas e setores que exigem maiores investimentos são negligenciados. Sabe-se de antemão que preços de alimentos são superdimensionados em razão das perdas que ocorrem desde a sua produção, passando pelo transporte, armazenamento e distribuição.

Segundo dados da Embrapa de 2006, 26,3 milhões de toneladas de alimentos ao ano têm o lixo como destino. Hoje, sete anos depois, os números devem ser bem maiores. Conforme o levantamento, diariamente, desperdiçamos o equivalente a 39 mil toneladas por dia, quantidade suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros, com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e jantar. Já dados do IBGE dão conta de que os brasileiros despejam nas lixeiras de suas residências diariamente 125 mil toneladas das sobras das compras. Somando com os restos deixados pela indústria e pelo comércio, o total chega a quase 230 mil toneladas diárias. O desperdício é muito grande, desde a colheita (20%), passando pelo transporte e armazenamento (8%), pela indústria de processamento (15%), pelo varejo (1%) e pelo processamento culinário e hábitos alimentares (20%).

Um estudo mais antigo, de 2004, realizado pelo Instituto Akatu, aponta que os números fazem do Brasil um dos campeões mundiais de desperdício. Ainda conforme o instituto, 1/3 de tudo o que compramos acaba no lixo. Isso remete a uma perda de US$ 1 bilhão por ano. É o pãozinho que endureceu ou embolorou, a fruta que apodreceu ou o alimento que ultrapassou o prazo de validade. Tudo vai para o lixo, causando prejuízos monumentais. De 30 a 40% de todos os alimentos produzidos no País vão parar no lixo. Em países desenvolvidos, esse índice não chega aos 10%. O brasileiro joga fora mais comida do que a que de fato leva à mesa. Para dimensionarmos o tamanho do estrago, fiquemos em apenas um exemplo: estudo da Embrapa Agroindústria de Alimentos mostra que só em hortaliças o total de perda a cada ano é de 37 quilos por habitante, enquanto a ingestão desses vegetais não passa dos 35 quilos no mesmo período de tempo.

Percebe-se claramente que o brasileiro não se preocupa com a economia. A falta de racionalidade para com os gastos com alimentação se irradia para outros setores, como o uso de água e energia elétrica. No fim, não nos preocupamos com os reflexos que este tipo de atitude pode trazer. E só nos manifestamos quando há escassez de qualquer produto, o que provoca aumento de preço. Nós ainda não aprendemos a comprar em pequenas quantidades, para consumo rápido. Compra-se multo, compra-se mal e consome-se pior ainda. O que não se pode admitir, diante das facilidades que contamos hoje, como utensílios de cozinha cada vez mais modernos. Pelo visto, não têm sido utilizados como facilitadores. Neste campo ainda nos comportamos como se estivéssemos muito atrasados. É necessária uma conscientização para que o Brasil deixe de jogar tanto dinheiro fora, diretamente na lata de lixo.