Paulo Pitt (DEM) foi tirado da cadeira de prefeito pela Câmara Municipal de Restinga há cinco dias. O presidente da casa, Fernando Costa (PSB), foi quem assumiu a Prefeitura interinamente. Em1994 a situação envolvendo Pitt foi inversa. Ele, enquanto presidente da Câmara, ficou no lugar do prefeito Paulo Robim (na época PMDB), que também foi afastado do cargo por decisão dos vereadores.
Além de Pitt, sua vice, Luciene Martins (PRB), também foi cassada na última terça-feira pela Câmara. Há 19 anos, os parlamentares abriram um processo semelhante e tiraram do poder Roberto Robim e seu vice Fabiano Pucci de Lima (PMDB). Eles haviam sido eleitos pelo voto direto e tomaram posse em 1993. Um ano depois, os dois foram afastados. Pitt, então presidente da Câmara, assumiu a cadeira de prefeito por 74 dias.
Os vereadores apontavam, na época, supostas infrações como superfaturamento em compras e na construção de uma creche, que não existia. Além da compra tida como irregular de um trator da Prefeitura pelo então vice-prefeito. Eles também denunciavam o uso da Estação Rodoviária como depósito de sementes da propriedade do então vice-prefeito.
Assim como na cassação de Pitt e Luciene, a decisão de afastar Robim e Pucci foi tomada pela maioria da Câmara. Na semana passada, dos nove votos, oito foram favoráveis à saída de Pitt. Há 19 anos Robim foi afastado com sete dos onze votos dos vereadores.
Apesar de Pitt ter sido a favor da abertura do processo de cassação de Robim, e um dos parlamentares que no passado votou a favor do afastamento dele, hoje ele afirma que “a Câmara não está lá para cassar prefeito”.
Roberto Robim, ao contrário de Paulo Pitt, renunciou ao mandato em setembro de 1994. “Minha família estava sofrendo muito com as acusações que não eram verdadeiras. Eles tinham medo do que poderia acontecer comigo”, afirmou ao Comércio na última sexta-feira.
Poucos dias depois da renúncia, o vice foi reconduzido à Prefeitura por determinação judicial. Ele deixou a administração municipal somente com o fim do mandato em 1996.
Robim evitou comentar a cassação de Pitt. Limitou-se a falar sobre sua queda. “Me arrependo de ter renunciado. Foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Se eu tivesse ficado, teria provado que não fiz nada de errado”, lamentou.
Paulo Pitt apenas disse ao Comércio que a situação dele e de Roberto Robim são “completamente diferentes”. “Não pode nem sonhar em falar que é a mesma coisa.”