Para as mulheres uma das maiores conquistas dos tempos modernos, teoria minha, diz respeito aos toaletes.
Toaletes, sim, colocados à nossa disposição para as horas de aperto e para que retornemos à condição de mortais, caso o orgulho nos suba à cabeça. Assunto difícil de abordar, eis que somos remanescentes de cartilha que estabelecia os limites do que era feio e bonito fazer ou falar... Nos idos tempos era feio falar em aperto, necessidade de ir ao banheiro, principalmente em casa dos outros. Para as meninas, com certeza, mas acho que para os meninos também. Tanto assim que lavabo é peça moderna nas construções porque antigamente se dizia que visita educada ia aliviada e de mão lavada à casa dos outros...
Não sei como as antigas faziam, mas às vezes a condição de deusa do Olimpo desaparece, as vistas escurecem, o barulho da barriga é constrangedor e revelador. A visão de porta com placa onde se lê toalete se confunde com a da porta celestial. Caso extremo? Caso extremo. Mas e o simples eliminar o excesso de líquido? Como lidar com o aperto na região do púbis, a dificuldade de dar nem que seja pequeno passo, o suadouro que molha o corpo, a turvação dos olhos? Legendária hora em que todo valente geme ao trançar as pernas. Prevendo tal urgência, as mães orientavam carregar na bolsinha, junto com o batom, enroladinho de papel higiênico. Com ele forrávamos as laterais do vaso, dividíamos o restante para a tarefa de secagem local e, previdentes, para a possibilidade de outro incidente lá na frente. Com isso, quando saíamos do WC, após o uso, deixávamos o banheiro impecável. Nem toda mãe ensinava assim, não. A maioria orientava para as meninas subirem no vaso, equilibrar-se sobre as laterais, mirar o centro do vaso.
Impedidas por anáguas e saias de mil folhas, as meninas ficavam sem visão. Sem visão, erravam o alvo. Errando o alvo, quando saíam, deixavam o toalete em petição de miséria.
Durante anos os toaletes brasileiros femininos dos restaurantes em geral competiam com os masculinos do boteco mais fuleiro da periferia. Descarga? Coisa de rico. Papel no cesto? Tem quem limpe. Absorventes higiênicos sem embrulhar. Nojeira... Bom era ir para a Europa ou Estados Unidos. Banheiros públicos limpos, pareciam os da casa da gente. Falei no passado? Falei. Em recente temporada em Londres, estranhei a sujeira dos banheiros antes irretocáveis: alguns nem papel higiênico tinham. Olha daqui, observa de lá, descobri. Imigrantes do leste europeu, da África, da Ásia e do Brasil são responsáveis pela sujeira dos toaletes públicos. Roubam ou desperdiçam papel higiênico, deixam torneiras abertas (quando usam), não dão descarga, deixam lembranças, erram o alvo.
O ranking? Atrevo-me a dar: em primeiro lugar disparado, os chineses. Em segundo, todos os outros. Têm telefones de última geração, estão conectados à imensa net, têm dinheiro, mas estão na pré-história da higiene. Atualmente, quando uso toalete em Londres, volto ao tempo dos banheiros da AEC.
PINGUELA
O Córrego dos Bagres separa o lado da Estação do lado de cá, de Franca. No passado, a passagem se dava através de toscas pontes de madeira, substituídas na era moderna pelas de alvenaria. Lembro-me de duas: uma, na Voluntários, outra, na General Carneiro – esta com entrada para a piscina do sêo Antônio, que veio a ser o Clube dos Bagres. Na General Telles, anos mais tarde, foi construída outra ponte, no início impropriamente chamada de viaduto, vaticinando o que seria no futuro. Essa ponte - ou viaduto - substituiu tosca pinguela de madeira que a molecada usava para desafios: transpô-la com venda nos olhos, sem qualquer apoio, com balanço provocado em uma ou nas duas extremidades. Nossos anjos da guarda eram poderosos!
BENEFÍCIO
Para ciclistas e fãs de esportes radicais, o interesse poderá ser grande. Mas que também tome conhecimento do benefício o turista brasileiro que pretende ir a Portugal, Espanha, Itália, Grécia ou Argentina, Chile e Uruguai. Marcou a viagem, requeira no Setor de Acordos Internacionais do INSS – rua México, 128, Rio de Janeiro, Centro, Ministério da Saúde - o formulário apropriado. (Por exemplo, para a Itália é o IB2). Com esse documento preenchido e devolvido, cópia em mãos, caso se acidente, o turista poderá ser socorrido e medicado pelo serviço público de um daqueles países, que enviará a conta para o INSS pagar. Em alguns deles, a saúde pública é de excelente qualidade, pode confiar.
OPÇÃO
Dola Indidis, advogado do Quênia, pretende ir ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia (Holanda), apelar contra a condenação e a sentença de morte dada a Jesus Cristo. Ele tentou a Alta Corte do seu país em 2007, mas o tribunal se recusou a ouvi-lo, alegando que o tema não era de sua jurisdição. ‘É meu dever defender a dignidade de Jesus e eu tenho que ir à TIJ para buscar justiça para o homem de Nazaré. Julgamento seletivo e malicioso violou seus direitos humanos através de má conduta judicial, abuso de poder e preconceito’, disse o advogado. (Deu na revista Time). Guardarei bem o nome: nas próximas eleições para vereador, deputado ou senador o nome poderá ser simpática opção.
RAPIDEZ
Discutia-se o que é mais rápido – a eletricidade, disse alguém. Você bota a mão no interruptor, a luz lá em cima acende, respondeu um. O pensamento? questionou outro. Você pensa, nem acaba de falar, surge outro pensamento na sua mente. Que nada, disse o terceiro. É a dor de barriga. Noite dessas acordei com uma, não deu tempo nem de pensar, muito menos de acender a luz!
Lúcia Helena Maniglia Brigagão
Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras - luciahelena@comerciodafranca.com.br