Empresa São José é acusada de usar integração para inflar gratuidades
O gerente-administrativo da São José, Delismar Rodrigues da Silva, será intimado a prestar depoimento na CEI do Ônibus segunda-feira. A convocação do representante da empresa em Franca foi decidida durante reunião da comissão ontem à tarde. Os vereadores apuram irregularidades no contrato assinado entre a concessionária e a Prefeitura para a exploração do transporte público no município. Desde que um novo acerto entre as partes foi firmado na surdina, em abril, o gerente se recusa a comentar os benefícios recebidos do prefeito. Dívidas pelo descumprimento das exigências previstas no edital foram perdoadas.
Não são apenas os detalhes do “acordo de amigos” que ele terá que explicar. Uma suposta estratégia para maquiar o número de usuários que não pagam tarifa e, com isto, justificar o aumento do preço das passagens veio à tona ontem. A empresa alega que cerca de 44% dos passageiros é beneficiada pela gratuidade.
Presidente da CEI, o vereador Luiz Vergara (PSB) informou ter obtido junto à Emdef, responsável pelo gerenciamento do transporte público, que o número real gira em torno de 28%. “O que eleva para 44% é a integração. O segundo trajeto feito pelo passageiro é contabilizado como gratuidade. Aparentemente, a empresa está inflando o número para convencer sobre a necessidade de reajustar o valor das tarifas.”
A comissão já requisitou a planilha de movimento da empresa para comprovar o número real de passageiros transportados e que, efetivamente, pagam a tarifa cheia. Segundo Vergara, a São José se recusa a fornecer cópias do balanço financeiro. Se o documento não for entregue até segunda-feira, a Procuradoria-Jurídica da Câmara ingressará com um mandado de segurança na Justiça para ter acesso aos números.
Por outro lado, o promotor de Justiça Murilo Lemos Jorge encaminhou à CEI cópias integrais dos cinco inquéritos abertos pelo Ministério Público para investigar irregularidades no contrato assinado entre a São José e a Prefeitura. As informações vão auxiliar os vereadores na apuração instaurada pela Câmara.
Dívida trabalhista
A Câmara votará nos próximos dias projeto de autoria do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que autoriza a Faculdade Municipal de Direito fazer alterações em seu orçamento fiscal no valor de R$ 361,1 mil. O dinheiro será usado para pagar indenizações e restituições trabalhistas de funcionários. Acordo homologado no fim de julho na 2ª Vara da Justiça do Trabalho estipulou prazo de 30 dias para a instituição comprovar os recolhimentos previdenciários e depósitos do FGTS nas contas dos reclamantes. Conhecido professor terá direito a R$ 95,2 mil. Os honorários advocatícios foram fixados em R$ 32 mil.
Entrada proibida
Imagino que o sol forte do Caribe tenha afetado o raciocínio do presidente da Câmara, Jepy Pereira (PSDB). Ou seria reflexo dos mojitos? Ele determinou que a porta principal do prédio fosse fechada. Além de dificultar o acesso de funcionários, vereadores e visitantes, a medida causa transtornos a deficientes e idosos, pois a única ligação entre o setor administrativo e a ala dos gabinetes e plenário é feita por meio de uma longa escada.
Kboing
Policial civil e vereador de primeiro mandato, o tucano Adérmis Marini (PSDB) anda colocando as asinhas de fora. Terça-feira, na Câmara, bicou dois colegas de plenário. “Você falou, agora pare de conversar e presta atenção”, disse a Laércinho (PP), que ignorava o seu discurso em favor do endurecimento contra as feiras itinerantes. “Vem cá, não vai no banheiro, agora, não”, determinou a Luiz Vergara (PSB), que aparentava estar mais preocupado em se aliviar do que ouvir o blá blá blá sobre o mesmo assunto.
Juvenil
Vergara segurou o xixi, retornou para o seu lugar na Mesa Diretora e deu o contragolpe na primeira oportunidade: “Você começou agora, está aprendendo, é um aprendiz. Não dá para admitir agressividade, mas é jovem e ainda vai aprender”.
Tem que explicar, né prefeito?
Em abril, durante evento de prestação de contas dos 100 dias de governo, Alexandre Ferreira (PSDB) criticou publicamente assessores próximos que dificultavam o trabalho da imprensa. “Secretário tem que dar a cara para bater e explicar o que está acontecendo. Se não tem coragem para explicar, não serve para trabalhar comigo.” Ou era apenas uma bravata para fazer marketing ou o prefeito não sabe o que anda acontecendo na administração.
Falha nossa!
Comerciantes comemoraram a aprovação do projeto que barra as feiras itinerantes, mas vão ter que esperar mais um pouco para ver a proposta virar lei. Os vereadores se esqueceram de pedir a dispensa da redação final e a matéria terá que voltar ao plenário novamente para oficializar o texto com as modificações decorrentes das emendas. A nova votação não muda nada, mas vai atrasar o envio do projeto para sanção (ou veto) do prefeito.
Lava pé
O vereador Nirley de Souza (DEM) fez uma indicação ao prefeito esta semana pedindo a retirada de um formigueiro em área na Rua Ana Carolina Ferreira Arantes, no Residencial José de Carlos. Não há informações se as danadas já foram extirpadas.
Boa ideia
O vereador Pastor Otávio Pinheiro (PTB) completa 51 anos hoje. Nas comemorações, não vai ter bebida alcoólica. Ele vai brindar com o Guaraná de Jesus. Já o Daniel Radaeli (PMDB) completou 48 anos terça-feira. O Vergara (PSB) ficou de fornecer as pizzas...
Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br