Quanto ao que nos diz respeito à consciência de que (e para que) existimos, a Doutrina Espírita nos esclarece que a Justiça Divina se realiza, em grande medida, na Lei de Reencarnação que, por sua vez, estabeleceu, sábia e justamente, que voltemos vezes inumeráveis às experiências da carne, na condição de beneficiários da misericordiosa concessão da oportunidade de redimirmo-nos do passado de iniquidades.
Tal asserção, referindo-se à lei de causa e efeito, não quer dizer, todavia, que só há um modo de respondermos pelo que fizemos.
Esta última, como toda a justiça de Deus, é misericordiosa e nos oportuniza a compensação por meio de realizações felizes.
Assim, esclarecendo-nos, praticando a caridade, perdoando, resgatamos débitos escabrosos. Vê-se que, normalmente, a dor é sempre a última providência a operar em benefício do devedor. Porquanto não é a única, e nem inevitável.
Toda vez que contrariamos a Lei de Deus, criamos o que se chama zona de remorso, que fica gravada no perispírito, envoltório do Espírito, que nos registra todas as emoções, sentimentos, ações, isto é, todas as implicações do nosso psiquismo. A ele se referiu o Apóstolo Paulo cognominando-o de ‘corpo espiritual’.
Oportunamente, quando amadurecidos espiritualmente à custa de anteriores fracassos nas tentativas de redenção, falindo ante as comodidades terrenas, pedimos aos Mentores Espirituais que governam a vida na Terra, em nome de Jesus, que nos proporcionem voltar, agora fazendo-nos vitimas de algum sofrimento, normalmente de natureza semelhante àquele que impomos sofressem nossos semelhantes, e que passou a afetar-nos a consciência, o arquivo implacável da Lei de Deus.
É, então, que se nos faz conveniente repetirmos: se não optarmos por resgatar nossos débitos por meios menos infelizes, ocorrerá que alguma situação dolorosa se nos venha a instalar no psiquismo, de tal forma que, se não acudirmos em tempo, virá, necessariamente e como providência da própria consciência, a afetar-nos o corpo, os órgãos físicos.
Observemos, por oportuno, que tal resgate dar-se-á obedecendo às leis da genética humana adredemente escolhida pelo espírito que vai reencarnar, sempre orientado pelos amigos superiores que lhe presidam a reencarnação.
Surge, então, na Terra, um indivíduo de corpo imperfeito ou com alguma predisposição, física ou mental, para enfermidades que lhe corresponderão à natureza do débito.
Conclusivamente, é medida inteligente e moral que tomemos todas as providências preventivas possíveis, porque pode estar ocorrendo que a Misericórdia Divina, por meio da nossa própria consciência, nos esteja concedendo mais uma chance, antes que sejamos atingidos pela ação corretiva da dor.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca