08 de julho de 2026

Vivendo do passado


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A presidente Dilma Rousseff voltou a comparar seis meses do governo dela com os quatro primeiros anos de mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ontem, em discurso na inauguração da sede do campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) e formatura de alunos de cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), em Osório, no litoral do Estado. Dilma afirmou que os 826 mil empregos criados de janeiro a junho de 2013 equivalem aos de todo o primeiro mandato de Fernando Henrique.

Já antevendo as análises a respeito, ela afirmou que ‘vão falar que a situação era diferente’, mas advertiu que ‘o ponto é justamente esse’. E reiterou que ‘esse governo tem compromisso com emprego, redução da inflação e bem-estar da população e tem caminho definido na transformação desse País num grande País de classe média’. Este discurso mostra que a administração federal tenta fazer decolar os números por ora rasteiros da economia brasileira apenas com palavras, manobras fiscais e malabarismos matemáticos.

Além disso, não reconhece que muito do que o PT conseguiu em 10 anos de governo federal deve-se, em parte, às políticas que foram executadas pelo presidente tucano. Hoje, o próprio partido teve que se dobrar até à privatização para que aeroportos e rodovias sejam modernizados e se alinhem ao chamado primeiro mundo. Quando o PSDB realizou uma privatização em massa de empresas estatais, o PT fez ferrenha oposição, denunciou, esbravejou, brigou. Hoje, a postura é outra.

Ao contrário do que pretende fazer crer a presidente Dilma, atualmente a nave brasileira não navega em céu de brigadeiro. Os últimos indicadores econômicos, que apontam para ligeira melhora em relação aos meses anteriores, não são suficientes para celebrar. A retração na atividade econômica é ameaça real e o remédio usado até agora tem mostrado eficiência quase semelhante a um placebo.

O que Dilma precisa, para ter um choque de realidade, é comparar seu governo com o do antecessor Lula, seu mentor de todas as horas, para ver que nada está bem, ainda. Faltam medidas para que o Brasil reconquiste a credibilidade e volte a receber investimentos no setor produtivo, dos setores externos e internos. Do jeito que está, a confiança atualmente é mínima para que os próprios brasileiros voltem a acreditar na capacidade do País se livrar da crise. Com Lula, houve crescimento real na produção e no emprego, os salários tiveram expansão e a economia ascendente fez o brasileiro se esquecer de que um dia viveu sob uma carga inflacionária escorchante. Agora, o perigo ronda novamente e não serão somente palavras que vão combater a inflação. É preciso ação, urgente.