Causou grande preocupação junto a empresários e trabalhadores francanos a informação de que cerca de R$ 1,5 milhão pode ter sido desviado por uma unidade do correspondente bancário Pague Bem de Franca. Autorizada pelo Banco do Brasil, a agência teria desviado o dinheiro do pagamento de contas, deixando o prejuízo para os clientes, que se viram cobrados pelo pagamento de boletos que haviam saldado. Diante disso, as cinco unidades instaladas na cidade foram proibidas de receber boletos. Além disso, o BB decidiu adotar a mesma medida em outros 71 postos instalados em cidades dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, enquanto correm as investigações. Teme-se que possa haver desdobramentos do caso.
A rede Pague Bem é conveniada ao Banco do Brasil e realiza serviços diversos como correspondente bancário. O recebimento de contas é o mais procurado. O golpe veio à tona quando, na segunda quinzena de julho, clientes que haviam deixado malotes com dinheiro ou que imaginavam ter pagado boletos no posto do Centro começaram a ser cobrados por credores e ameaçados de terem os títulos protestados em cartório. Pelo menos 20 vítimas prestaram queixa na polícia. Como muitos pagamentos ainda não tinham sido confirmados é possível que mais gente tenha sido prejudicada. O 1º Distrito Policial abriu um inquérito para apurar o crime de apropriação indébita.
Enquanto as investigações correm, os clientes que tiveram problemas com o correspondente bancário estão sendo orientados para que procurem as agências do Banco do Brasil e apresentem uma contestação. As alegações serão analisadas caso a caso. Porém, o banco deixou de informar o mais importante: quando é que as vítimas deste golpe terão os prejuízos ressarcidos? Acontece que há quem está sendo ameaçado de ter o nome negativado e não tem como pagar a conta pela segunda vez. Quem será o responsável? Haverá celeridade no processo?
Sabe-se que se for deixar para o encerramento do inquérito ou para a fase de processo judicial, com certeza as vítimas do estelionato vão sair ainda mais prejudicadas. Afinal, o Poder Judiciário no Brasil anda a passos lentos, enquanto cobranças e negativação seguem exatamente os prazos determinados em lei: 30 dias após não ter sido registrado o pagamento o nome do devedor é incluído no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e enviado a Cartório para protesto. Por isso, é bom que o banco se posicione, principalmente para tranquilizar aqueles que estão totalmente sem condições de cumprir com o pagamento pela segunda vez. O prejudicado não quer saber as providências do Banco do Brasil para com seus correspondentes, se o contrato vai ser cumprido ou não. Quer mesmo é saber quem irá pagar (e quando) o seu prejuízo.