Com a graça de Deus estamos vivendo o ‘dia do Senhor’ no mês vocacional!
A riqueza da Palavra de Deus ilumina nossa vida, ensinando-nos um grande segredo: viver com pouco! Acolhamos os ensinamentos que a bondade de Deus nos concede: As leituras de hoje são Eclesiastes 1, Colossenses 3, Lucas 3. Vamos aos ensinamentos que Deus nos revela para hoje.
1ª LEITURA — ECLESIASTES 1
Cerca de duzentos e vinte anos antes de Cristo vive em Jerusalém um homem sábio, que o povo chama Coélet, isto é, aquele que reúne ao seu redor uma assembleia, aquele que ensina a sabedoria a numerosos discípulos.
Para Israel. é uma época de mudanças radicais: a atividade econômica recebe um incrível impulso; comerciantes estrangeiros percorrem o país comprando os produtos das lavouras dos grandes latifundiários, comercializam escravos, gado, ouro, pedras preciosas, resinas aromáticas do Oriente.
Muitos israelitas se empolgam com a possibilidade de enriquecer, adaptam-se às novidades, aos novos usos e costumes, só pensam nos bens materiais, chegando alguns a renegar a própria fé e as tradições religiosas do seu povo.
Coélet medita durante longo tempo sobre tudo o que acontece na terra e conclui: ‘Tudo é vaidade!’. É uma afirmação desoladora e amarga. Nas poucas páginas do seu livro, repete-a 25 vezes.
O homem, diz ele, busca a felicidade, mas a sua corrida é como a de alguém que persegue o vento. Um exemplo? Eis: ‘Que um homem trabalhe com sabedoria, ciência e bom êxito para deixar o fruto do seu labor a outro que em nada colaborou, note-se bem, é uma vaidade e uma grande desgraça’.
Coélet aconselha a seus discípulos um moderado aproveitamento de tudo o que a vida oferece, mas deixa sem resposta as questões fundamentais.
A resposta não se encontra no seu livro, mas no Evangelho. Virá de Jesus o convite para que o homem alargue seus horizontes e não se incline exclusivamente para suas vantagens pessoais.
Dedicar a própria vida para acumular bens para si mesmo ensinará ele é uma loucura. Aquele, porém, que se dedicar às necessidades do irmão, poderá ficar tranquilo, porque não se agita em vão, para o nada, para o absurdo.
2ª LEITURA: COLOSSENSES 3
‘Afeiçoai-vos ás coisas lá de cima... pensai nas coisas lá de cima, não nas desta terra’. Parece um apelo para desprezar este mundo e desinteressar-se dos problemas materiais para só pensar no paraíso.
Para entender este conselho deve-se lembrar que, nesta parte da sua carta, Paulo está se referindo ao Batismo. Por este sacramento, ensina ele, o cristão morreu para a vida antiga, ressuscitou com Cristo e com ele começou uma vida totalmente nova.
O cristão, diz, se despojou do homem velho e se revestiu do homem novo.
Pelo Batismo, o cristão se revestiu em verdade do homem novo, já tem gravada em si a imagem do Criador, mas esta semelhança não atingiu ainda a sua plenitude. Procurarei explicar-me com um exemplo.
Algo semelhante acontece com o cristão. Pelo Batismo ele já se tornou semelhante ao Criador, mas ainda está coberto de muitas impurezas, a ponto de ser quase impossível reconhecer nele o semblante do Pai. Demora muito tempo, é preciso purificá-lo da vida antiga, dos hábitos pagãos e só depois, lentamente, aparece nele a figura do homem novo.
EVANGELHO — LUCAS 3
Não obstante algumas discussões, em geral os irmãos gostam-se muito uns dos outros. Mas até quando? Até o dia em que se deve dividir a herança. Diante do dinheiro, dos bens materiais, até os homens mais cordatos acabam muitas vezes perdendo a cabeça, tornando-se cegos e surdos. Certo dia Jesus foi escolhido para mediador numa destas pendências familiares.
A situação diante da qual Jesus se encontra foi criada porque alguém tentou praticar uma injustiça e um outro corre o risco de ser vítima da mesma. Ao invés de revolver um caso particular, Jesus prefere ir até a raiz do problema: ‘Guardai-vos escrupulosamente – diz ele a todos – de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende das suas riquezas’.
Eis a causa de todos os males: a ganância pelos bens materiais, a vontade de acumular coisas! Quem acumula só para si, quem quer se abarrotar de bens mais do que o necessário, sem pensar nos outros, quem se deixa conduzir pela sua insaciável ganância, inverte todo o plano do Criador. Os bens, então, já não são considerados como um dom de Deus, mas como propriedade do homem; transformam-se, então, de objetos preciosos, em ídolos para serem adorados.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br