08 de julho de 2026

Proibido, consumo de cigarros é comum no Terminal de Ônibus


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Em frente a cartaz que avisa da proibição de fumar, usuárias fumam ao lado de outros passageiros no Terminal de Ônibus

Na manhã fria de uma quarta-feira, no último dia 24 (quando a temperatura mínima foi de 8,8ºC), a fumaça que saía da boca dos usuários no Terminal de Ônibus “Ayrton Senna” se confundia com outra, prejudicial à saúde e proibida no local. A lei estadual 13.541, conhecida como “Lei Antifumo” e promulgada em maio de 2009, proíbe em todo o Estado o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos e similares em ambientes de uso coletivo, sendo eles públicos ou privados. A lei se aplica a locais parcialmente fechados em qualquer dos seus lados por uma parede ou teto, o que ocorre no Terminal, que é coberto.

A reportagem do Comércio permaneceu uma hora e quarenta minutos no Terminal na no dia 24 de julho, e, neste tempo, flagrou 21 fumantes nas dependências da central de ônibus. E a cena é corriqueira.

A maioria dos fumantes flagrados no Terminal tem mais de 35 anos. Muitos deles ainda arremessam as bitucas no chão quando terminam de fumar; uma minoria joga os resíduos nas lixeiras. Alguns procuram fumar nas bordas do prédio, mas outros fumam onde bem querem, “distribuindo” fumaça pelo local. De 11 fumantes entrevistados, dez alegaram não ter qualquer conhecimento da proibição. No entanto, há pelo menos 15 cartazes afixados nos pilares do Terminal, informando, por meio de dizeres e um símbolo gráfico, que não é permitido fumar naquele espaço.

Um desses desavisados é o lavrador Luís Borges, 47. Ele não havia prestado atenção nos cartazes, e, além disso, jogou o cigarro no chão. “Tem um saco plástico na lixeira, e se eu jogar [o cigarro dentro], pega fogo”, afirma. Outra que alegou não saber da norma era a empregada doméstica Maria Silva, 60. “Aqui todo mundo fuma, então eu começo a fumar também”, disse. Já a dona de casa Antonia de Souza, 40, afirma que não sabia da proibição por ser analfabeta embora tenha um símbolo no cartaz com a tarja vermelha sobre o cigarro. Além disso, ela chegou a fumar próxima à neta, Letícia, 7, mas disse que não acredita que o ato seja prejudicial para a menina.

A dona de casa Maria Helena, 56, foi a única a dar uma justificativa diferente. “Eu respeito [a lei] em lojas, bares, lotéricas. É que eu vim para o Terminal tão distraída que não percebi que deveria ter apagado o cigarro”, afirma a dona de casa.

INCOMODADOS
O fato dos fumantes terem se proliferado por todo o Terminal de Ônibus tem irritado aqueles livres do vício. Uma delas é a dona de casa Lila Barros de Oliveira, 68, que fumou por seis anos mas parou há vinte. “Começou a me dar problema de bronquite e larguei do cigarro. A fumaça do cigarro é prejudicial à minha saúde, porque entra no corpo.”

O estudante Willian Robert Gomes, 17, relata que sofre diariamente com o problema, já que depende de ônibus para chegar até a Unifran (Universidade de Franca), onde cursa biomedicina. Ele mora no bairro City Petrópolis. “É insuportável. Isso me incomoda primeiro porque é proibido e segundo pelo mau cheiro e sujeira que ficam no Terminal. Os próprios motoristas dos ônibus, quando param, descem e começam a fumar”, disse Willian, acrescentando que só viu fiscais nas dependências do Terminal quando a Lei Antifumo entrou em vigor, em 2009. A fiscalização é compartilhada entre as Vigilâncias Sanitárias do Estado e do município.