08 de julho de 2026

As redes sociais e os cidadãos


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As redes sociais foram o principal meio utilizado por milhares de jovens em todo o País para a mobilização nas recentes manifestações de rua

Antes destas, esse mundo de relacionamentos na internet era apenas virtual. Tornou-se realidade concreta quando começaram os protestos. Criou-se desde então um novo paradigma na articulação dos movimentos sociais. As redes sociais ainda são vistas com desconfiança por parte dos políticos, que preferem enxergar a conspiração das massas ao invés de uma oportunidade para reverter o processo em benefício da própria gestão pública e da sociedade. É verdade que as redes sociais podem servir de espaço para o fermento das passeatas, mas podem ao mesmo tempo ser um eficiente e rápido canal para a interação entre cidadãos e o poder público. É o que o caminho que algumas cidades tentam alcançar.

Uma experiência inédita no uso das redes sociais começa a ser vivida em Pelotas, cidade de cerca de 320 mil habitantes, no Rio Grande do Sul. A prefeitura anunciou este mês a implementação de um programa de interatividade com a população utilizando um software desenvolvido localmente, mas que pode ser utilizado em outras localidades no país e no mundo. A ideia vai além de proporcionar aos cidadãos o mero apontamento dos problemas da cidade, mas visa incorporar a tecnologia para ouvir e interagir com a população por meio da mesma ferramenta. Para isso, é necessário o compromisso público do agente público. É o que está sendo feito.

Qualquer pessoa, por meio de seu smartphone, celular com sistema Android ou PC, pode abrir uma queixa (“Escolha sua causa”, estimula a rede), dar informações como o local do fato e registrar com fotos ou vídeos. A informação será espalhada aos membros e será enviada à administração municipal para que possa avaliar e resolver o problema. Algumas demandas típicas são buracos em ruas, lâmpadas queimadas em postes e problemas na rede de esgoto. A prefeitura promete responder por meio de notificações. “O cidadão poderá exercer seu papel de fiscal do governo e colaborador da prefeitura. Desta forma poderemos identificar e encaminhar com mais agilidade os problemas da cidade”, diz a vice-prefeita, Paula Mascarenhas. Não haverá custo para o município. O site para o cadastro e login é www.urbotip.com

O software é definido como um serviço através do qual o cidadão pode compartilhar questões da sua cidade com o mundo, na tentativa de mostrar às autoridades os locais certos onde agir. “Vivemos em tempos difíceis, em que a ação humana transformou cidades de maneira descontrolada, construindo um lugar ainda menos sustentável”, afirmam os organizadores do Urbotip. “É preciso contar com todo suporte que dê voz a pessoas que ainda se preocupam em construir um mundo melhor, de forma que as futuras gerações possam desfrutar de um lugar para viver seguro e saudável, vivendo em harmonia com o meio ambiente e a natureza. Temos tanta tecnologia à nossa disposição, tantas formas de espalhar pelo mundo questões que requerem atenção das autoridades e fazendo com que menos recursos públicos sejam gastos em ações desnecessárias”.

Interior em alta
Sob o título “A riqueza brota das cidades médias no interior do Brasil”, a revista de economia e negócios Exame publica esta semana reportagem segundo a qual o pessimismo tomou conta da economia no País, mas as cidades médias, ao contrário, vivem um momento bem mais animado. Até 2020, as classes A e B deverão ganhar 11 milhões de pessoas - e metade delas estará fora dos grandes centros urbanos, prevê a publicação. O melhor termômetro desse fenômeno já em curso é a proliferação de shopping centers. Até o fim de 2014 está prevista a inauguração de 79, dos quais quase a metade em cidades do interior. Essa movimentação é fruto do aumento da renda fora dos grandes centros, diz a Associação Brasileira de Shopping Centers. A tendência rumo ao Interior é confirmada pelo especialista em franquias José Carlos Fugice Jr, com base no crescimento do setor. “Nichos que antes eram vistos como de baixo potencial, agora, com a ascensão da classe média, passam a fornecer subsídios interessantes para o crescimento destas redes de franquias”, diz ele.

Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br