08 de julho de 2026

Religião e controle


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Segundo informações da imprensa internacional, religiosos de alguns países do oriente estão adotando a prática da perseguição às mulheres que assumem conduta que, na visão dos defensores da ‘pureza religiosa’, contraria os princípios recomendados pela crença que professam.

Tais procedimentos chegam a provocar sérios transtornos na vida das perseguidas. Entre as restrições, impedimentos e punições que lhes são aplicados, elas sofrem a proibição de saírem sozinhas à rua para cumprir tarefas do cotidiano, como, por exemplo, ir ao supermercado. Em alguns casos, chegam a ser punidas porque tocaram em algum homem que não os seus maridos.

São restrições e punições que, evidentemente, geram sério constrangimento na população, porque todas as acusadas ou são mães, irmãs ou esposas de homens que fazem parte dos ‘grupos de controle’.

O ato de punir alguém que não nos pertence ao círculo familiar pode até causar-nos menos ou nenhum desconforto, mas, fácil é avaliar a constrangedora tarefa de acusar, julgar, condenar e punir alguém que se nos vincula pelos laços do afeto.

Se cabe à religião conduzir seus adeptos a Deus, questionar-se-ia: qual o seu papel moral perante eles, o de fiscalizá-los, controlá-los, ou o de confirmar-lhes a abençoada liberdade de consciência, corolário da consciência universal, a refletir a essência da expressão divina, que são as supremas leis?

A religião que, ao invés de conscientizar, impõe, não religa, separa. Lembremos que, se, etimologicamente, religião é religação, do latim religare, o seu papel há de enquadrar-se nos princípios da moral, necessariamente com base no amor e na caridade, sem o que jamais religará alguém ao Criador.

É certo que cada religião tem os seus preceitos, segundo a sua doutrina, mas, não haveria de pretender que todos assimilem seus postulados da mesma maneira, visto que cada ser humano é uma individualidade que age, reage e interage segundo a maneira de ver e sentir tudo quanto lhe fere o psiquismo, além do que - e em virtude disso mesmo - cada qual acha-se em diferente nível evolutivo, sendo tolice violentar consciências, impondo uniformidade de visão religiosa.

A religião, qualquer que seja, há de ter nas sábias e justas leis divinas a sua fonte sublime, voltada para as leis morais, ainda que fruto da conjugação de esforços meramente humanos.

Nosso ângulo de apreciação ocidental nos lembra que, quando interrogado sobre como atingirmos o Reino de Deus, o excelso Mestre não nos ofereceu qualquer regra de cunho terreno, mas o Amor, onde, conforme suas palavras, ‘estão a Lei e os Profetas.’

Assim, entendemos que o grande papel da religião é despertar nos seus adeptos o desejo de cultivar o mais sublimado dos sentimentos, sem o que seremos meros repetidores de formalidades, dentro de um farisaísmo tão condenado por Jesus. De que valem as mãos lavadas, se o coração permanece impuro?

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca