O proseio de hoje é com os vereadores francanos
Comungo a tremenda onda de insatisfação que anda pulsando pelas ruas, vísivel nos comentários diariamente endereçados à Editoria de Opinião deste Comércio, nas falas de gente já arrependida em ter lhes dado votos.
Aparentemente, os senhores vivem uma crise de identidade, o que é tremendamente grave. Lembro-me de vários, em campanha, humildes, dispostos, pedindo a confiança da população para promoverem no Legislativo francano a mudança de perfil e de trabalho que, já há algumas legislaturas, o povo francano tanta anseia.
Olho-os hoje, e não gosto do que vejo. Quando penso nos três anos e cinco meses de mandato que ainda têm para cumprir, acho que há chance de ficar ainda pior, mantidos os valores que estão praticando, anos-luz distantes da confiança que lhes depositaram os que os escolheram.
Os senhores têm lido jornais, consumido informação? Sobretudo, têm conversado com as pessoas, com seus eleitores? Parece que não, ou, pelo menos, não na medida exata, com a atenção necessária. Se estão, preocupo-me ainda mais. Os senhores podem estar cegos e surdos ao que é sério e moral.
Contestam? Então, podem ter perdido também o equilíbrio cidadão. Os senhores estão se tornando engrenagens do sistema, agindo pela força do efeito manada, no qual alguém lidera e os outros, emburrecidos, acompanham.
Seria constatação clara e objetiva de que o exercício político ameaça ou amedronta? Os senhores podem ter perdido a coragem, ou o brio ou a capacidade de sentir vergonha? Esqueceram-se que a segunda cláusula pétrea constitucional define os três poderes da República - Legislativo, Executivo e Judiciário - como independentes e harmônicos, e estão agindo como se isso fosse só um aglomerado de palavras que na prática, não querem dizer nada? Será que nunca perceberam a razão fundamental da ordem em que o texto constitucional coloca os poderes - não em ordem alfabética, ou em qualquer outra ordem - para representar que quem legisla, faz as leis que o Executivo implementa e o Judiciário julga, se não são cumpridas?
Parece que perderam de vista a importância do que fazem, ou jamais souberam exatamente qual é a função legislativa independente!, que têm que realizar! Tem mais: os senhores têm deixado para lá essa independência essencial e estão se tornando meros pombos-correios de decisões polêmicas, e aqui falo da fidelidade que têm a seus partidos ou às composições partidárias que os ‘obrigam’ a andarem caminhos diferentes dos que se comprometeram a trilhar quando pediram votos!
Em síntese, senhores vereadores, é isso o que andamos pensando nós, os seus eleitores. Estamos ficando com um gosto ruim, na boca. À cada escorregão, cada um dos senhores perde mais um voto. Não foi à toa que as passeatas ocorridas na cidade cravaram, como destino final, a Câmara Municipal!
Eu poderia ter endereçado este texto a todos os legisladores do País, mas que isso não sirva de consolo aos legisladores francanos. Quanto mais perto, pior.
ALGUMAS RAZÕES DA DESCRENÇA
Utilize os links que disponibilizo abaixo para conhecer algumas das razões pelas quais os francanos têm contestado a atual Câmara Municipal de Franca. A forma mais rápida para fazer isso é acessar a versão digital desta coluna, no portal GCN.net. Em seu computador, vá a gcn.net.br. Escreva ‘Luiz Neto’ no campo de pesquisa e encontre a coluna. Se eles próprios ainda não tinham uma visão de conjunto sobre suas ‘obras’, essa é a chance.
• Relatório alternativo aponta plágio e fraude na licitação do viaduto
• CEI do Viaduto termina com pizza espalhada no plenário
• Vereadores rejeitam moção de protesto contra acordo com São José
• Reunião da CEI da São José vira palanque para vereadores
• Por causa de viagem, vereador terá R$ 1,6 mil descontados
• Câmara tenta mudar orçamento
• Advogadas da Câmara processam Legislativo por assédio moral
• Centenas protestam contra vereadores
• Câmara faz elogio público à PEC-37
• Presidente da CEI e testemunhas aparecem, integrantes, não
• Vereadores ‘das medalhas’ são obrigados a devolver dinheiro
• Moção de repúdio a Feliciano é aprovada sem ser votada
Leiam, também, os ‘rodapés’ dos textos. Lá estão os comentários de leitores do Comércio ou internautas que, não se contentando em apenas ter conhecimento, resolveram registrar o que pensam sobre os vereadores e a Câmara Municipal. Aliás, aconselho meus leitores-vereadores a não deixar de praticar sistemática olhadela aos ‘pés das matérias’ sobre os trabalhos da Câmara. Não são os profissionais de jornalismo que dizem. É o povo, os que elegem, e que, finalmente, resolveram fazer diferença.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br