10 de julho de 2026

Manifestantes ocupam campus da Unesp; salas viraram dormitórios


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Em uma das salas de descanso dos professores, colchões e pertences dos estudantes que ocupam o campus da Unesp

“Ninguém nos escuta, então precisamos gritar mais alto.” Essa frase, dita por um dos estudantes que estão ocupando as dependências da Unesp de Franca há cerca de um mês, resume o motivo da ação. Em greve desde o dia 29 de maio, os alunos da universidade alegam que, como não tiveram nenhuma resposta da direção sobre suas reivindicações, precisaram tomar medidas mais enérgicas. A opção foi transformar a diretoria e uma das salas de descanso dos professores em dormitórios. Alguns dos participantes calculam que o grupo é composto por cerca de 200 pessoas. O diretor local, Fernando Fernandes, disse que segue negociando com os alunos.

Na tarde de ontem, o Comércio teve acesso às dependências da universidade e constatou a ocupação. No campus do Jardim Petráglia, muita calmaria. Dentro do bloco que recebe, dentre outras disciplinas, aulas de história, toalhas secando na janela indicavam o sinal da ocupação, que se confirmou dentro da sala de espera dos professores. Um colchão de casal e sete colchonetes estavam espalhados pelo chão, bem como bolsas, roupas, livros, garrafas de água e carregadores de celular.

Na Administração II, a reportagem encontrou parte dos manifestantes que estavam ocupando a sala da diretoria. Eles alegaram que só falariam “oficialmente” após uma pequena assembleia realizada entre todo o grupo. Até o fechamento desta edição, os estudantes não haviam entrado em contato com a Redação. Os grevistas exigem a ampliação do número de bolsas de estudo, melhorias na biblioteca, mais servidores e professores e uma nova moradia.

O diretor da unidade francana, Fernando Fernandes, afirmou que não tomou nem tomará nenhuma atitude mais enérgica para obrigar os estudantes a desocuparem o campus. “Estamos tentando encontrar soluções para as pautas deles. Porém, até o momento, um acordo não foi obtido”, disse. Na próxima semana, três assembleias estão marcadas com cada um dos grupos - além dos alunos, servidores e professores também estão de braços cruzados. “Não é um quadro exclusivo da unidade francana. Mas, estamos confiantes em um final positivo”, concluiu Fernandes.