Mais uma vez recolho esse amor
Vertido em toda direção
Espalhado em fendas
Tomado de realidade
Farta de uma sanidade desesperada
De joelhos, apanho seus pedaços
(até os mais escondidos)
Feito a perna que se corta pra se viver
Ou a flor murcha tirada pra dar força
Mais uma vez recolho esse amor
Num golpe insondável do fato
Pisando descalça a velha estrada escura
Sem placas ou intuição
Por que você vai e vem
Como a onda do mar
Que se toca mas não se tem?
Mais uma vez recolho esse amor
Sem saber o que sou além dele
Chorando por tudo nele contido
E represado...
E inibido...
E num gesto imenso
De recolher e recolher
Faço de um ato uma vida
E de uma vida
Faço lágrimas