Lojistas da região central e dos bairros, como Aeroporto e Leporace, fecharam as portas mais cedo ontem e ganharam as ruas para manifestar contra as feiras itinerantes, como a que foi realizada na cidade no começo de julho. Por volta das 15 horas, cerca de 400 comerciantes e funcionários saíram da Praça Central rumo à Câmara, em busca de apoio dos vereadores. O ato também contou com o apoio da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). Em frente à Prefeitura, o grupo parou para tocar o Hino Nacional e gritar pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que, segundo assessores, estava em Brasília (DF), mas disse apoiar a causa.
Os manifestantes carregavam faixas e fizeram muito barulho com apitos, rojões e megafone durante toda a caminhada. A todo momento, eles gritavam palavras de ordem, como “Dinheiro de Franca tem que ficar em Franca”. Nos locais onde encontrava lojas com as portas abertas, o grupo parava e pedia para baixar as portas, o que aconteceu em grande parte do centro da cidade. Quem não atendia ao pedido era vaiado.
A proprietária da Via Shopping, Márcia de Andrade, fechou todas as unidades e levou mais de 20 funcionários para a rua. “Precisávamos nos unir, já passou da hora de fazer alguma coisa contra essas feiras.” A dona da loja Laranja Limão, Ivalda Duarte, participou de todas as reuniões durante a organização do protesto e disse que não poderia perder a manifestação. “Neste momento nenhum lojista é concorrente do outro, temos que nos unir.” O proprietário do Lojão das Fábricas e um dos organizadores, Pablo Roberto Oliveira, disse que o objetivo principal era de sensibilizar os vereadores. “Queremos saber o que eles podem fazer para tentar dificultar a vinda das feiras.”
O presidente da Acif, José Alexandre Carmo Jorge, se surpreendeu com a quantidade de lojistas presentes no manifesto. “Juntos somos mais fortes. É isso que venho tentando falar para os lojistas. Se a categoria não ficar unida, será muito difícil combater as feirinhas. Estamos tentando melhorar o decreto municipal já existente para que os lojistas tenham condições de competir em grau de igualdade com o pessoal de fora. Somos contra a realização dessas feiras, mas a Acif não tem poder de proibir a vinda delas.”
Na Câmara, os manifestantes lotaram o plenário, onde permaneceram por mais de uma hora. Os vereadores ouviram representes dos lojistas e da Acif que, no final, conseguiram o apoio que queriam. O presidente da Casa, Jépy Pereira (PSDB), criou uma comissão formada por oito vereadores. Eles se reunirão na próxima sexta-feira, às 9 horas, com os lojistas na Câmara para discutir a possibilidade de criar um projeto de lei para aprimorar as normas já existentes, na tentativa de dificultar a vinda das feiras.