A notícia de que o advogado trabalhista Dalvonei Dias Corrêa está sendo processado pelo Ministério Público Federal chamou a atenção de toda Franca na última sexta-feira. Matéria publicada pelo Comércio mostra que ele é acusado de estelionato, apropriação indébita, uso de documentos falsos e patrocínio infiel (quando o advogado ‘trai seu dever profissional, prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado’). Segundo a procuradora da República em Franca, Daniela Pereira Batista Poppi, foram 47 denúncias contra o profissional. Dalvonei nega os crimes e se diz vítima de uma armação.
O que mais estranha neste caso é o silêncio da 13ª subsecção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca. Ao contrário da postura observada diante de outros fatos menos graves, muitos dos quais sem envolver advogados, três dias depois da notícia a Ordem ainda não se manifestou a respeito, nem em defesa de seu associado nem para condenar a prática. Nos últimos anos, várias denúncias contra advogados que se aproveitaram de seus clientes já foram investigadas em Franca. Na mais flagrante delas, foi julgada e condenada à prisão a advogada Adriana Telini Pedro que, de acordo com decisão judicial, usou de sua posição ao se associar ao crime, facilitando a marginais condições para assaltos e até dando guarida a um condenado foragido que acabou sendo preso em seu escritório.
Neste caso, a OAB de Franca só aplicou suspensão de um ano a Adriana Telini, que foi completada no último dia 25. Ou seja: libertada em razão de um estratagema de sua defesa, ela já está novamente advogando, mesmo que os processos que acumulou (incluindo-se aí estelionato, amplamente documentado pelo inquérito policial) ainda continuem sub-judice, em razão do recurso apresentado pelos seus defensores. Nada do que ela fez, utilizando-se do registro profissional, foi considerado grave pela OAB. Repercutiu muito mal junto à opinião pública a atitude da OAB de Franca. O silêncio atual é um reflexo da forma branda como os crimes de Adriana Telini foram punidos. Com isso, a categoria, que ainda tem nomes íntegros nos seus quadros, felizmente, acaba prejudicada. Já passou da hora da entidade se manifestar publicamente sobre os processos contra Dalvonei Dias Corrêa e, além disso, explicar as razões que levaram os seus dirigentes a não considerarem gravíssimas as ações que levaram à prisão de Adriana Telini. Do contrário, estará minando a credibilidade de toda a classe por omissão. Não apenas os integrantes da categoria merecem uma satisfação. A opinião pública, que se vê estarrecida diante dos crimes de que é acusado mais um advogado, a ser processado por conduta imprópria, aguarda um posicionamento. Espera-se por uma manifestação no mínimo plausível, sob risco de se desacreditar totalmente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Franca.