A presidente Dilma Rousseff, mesmo diante da queda da popularidade em mais de 20 pontos percentuais em menos de dois meses, parece que não está muito preocupada com o seu futuro político. Afinal, tendo pela frente uma crescente insatisfação com o seu governo, inclusive de parte dos aliados e setores do próprio PT, ela já avisou que não cortará nenhum dos 39 ministérios nem pretende mexer no primeiro escalão agora. Em conversa de três horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última quarta-feira, em Salvador, Dilma mostrou preocupação com a queda de popularidade do governo, registrada após as manifestações de rua em junho, mas disse que não vai ceder, nesse momento, a pressões por mudanças na equipe.
Neste mesmo encontro, a portas fechadas, houve muita reclamação sobre o comportamento do aliado PMDB e também do PT. Não foi só: Dilma pediu ajuda a Lula para ‘enquadrar’ o PT que, no seu diagnóstico, não está colaborando como deveria para defender o governo e o plebiscito da reforma política. Para a presidente, divisões na seara petista e o coro do ‘Volta Lula’ prejudicam a governabilidade. O que a presidente ainda não entendeu bem é que não ceder às pressões só faz crescer a insatisfação entre a base aliada e quedas maiores nas pesquisas serão extremamente prejudiciais não só a ela como a seu partido.
O ‘racha’ junto à base aliada, a esta altura, só faz aumentar. Quem vem ganhando com isso é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que pretende levar sua candidatura presidencial a termo e já está cimentando alianças inclusive entre a base aliada à qual seu PSB pertence. Em São Paulo, por exemplo, pode apoiar oficialmente a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB), ao lado do DEM, PPS, PTB, PRB e PSC, inclusive indicando o candidato a vice. Com isso, vai dificultar ainda mais a pretensão do Partido dos Trabalhadores de quebrar a hegemonia tucana no Estado. Em Minas também pode acontecer a mesma coisa.
Ao transformar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em conselheiro para todas as horas, deixando transparecer uma subserviência que nunca se viu na história republicana brasileira, Dilma Rousseff dá mostras de fragilidade e inabilidade política. Uma das saídas para melhorar a sua popularidade e aumentar o cacife para 2014 seria justamente o enxugamento da máquina, começando por seu gigantesco ministério. Com receio de perder o apoio no Congresso de sua ampla e diversificada base de apoio, a presidente resiste e se vê cada vez mais isolada, alvo de críticas até dentro de seu próprio partido. Com isso, corre o risco de ser obrigada a ver o surgimento de uma segunda via para a candidatura à Presidência dentro do próprio PT ou então ser atropelada por Marina Silva (Rede), Aécio Neves ou Eduardo Campos em 2014. As duas hipóteses, porém, não são nada agradáveis para aquela que as intenções de voto, em maio, mostravam como imbatível. O que já não ocorre agora.