A Polícia Civil está no encalço dos proprietários do posto Pague Bem do Centro - empresa conveniada ao Banco do Brasil. Eles são acusados pelo crime de apropriação indébita tendo, segundo as denúncias, se apoderado de um montante de R$ 70 mil. O desfalque prejudicou pelo menos cinco empresários francanos que utilizavam o serviço para pagar tributos e outras contas. Especula-se que o rombo possa ser ainda maior. Nos últimos dias, muitos comerciantes procuraram a delegacia, porque foram informados pelos credores que seus boletos permaneciam em aberto e, se não fossem pagos, iriam para protesto em cartório. Segundo funcionários do BB, o atendimento ao público prestado nas unidades do Pague Bem da rua General Carneiro, Vila Aparecida e Cidade Nova foi interrompido por tempo indeterminado. Outros dois postos, que não possuem ligação com a unidade investigada, continuam funcionando.
O delegado Luís Carlos da Silva, titular do DP do Centro, disse que a queixa de atraso dos pagamentos contra o correspondente do BB vem de algum tempo. “Esses empresários levavam malotes para esta empresa conveniada ao BB para pagamentos de boletos. Há algum tempo, eles se queixavam que algumas duplicatas não estavam sendo pagas, mas não tínhamos certeza de como isso estava acontecendo. Até que no último fim de semana, o pessoal disse que deixou os malotes de pagamento com muito dinheiro e voltou tudo [nenhum boleto foi pago].”
O empresário do setor calçadista Luís Alberto Corrêa Lima, 50, foi um dos prejudicados. Ele disse que procurou a delegacia e fez a queixa de apropriação indébita contra o banco e contra a rede Pague Bem. “O BB não aceita que empresas como a minha, com muitos pagamentos de boleto, sejam atendidas no caixa, porque eles não têm pessoal para atender. Por isso, terceirizam o serviço encaminhado a gente [clientes CNPJ] para o Pague Bem.”
No dia 19, o empresário foi cobrado por um fornecedor que aguardava um pagamento de R$ 3,2 mil. “Vi que tinha saído da minha conta esse dinheiro. Fui ao banco e eles não souberam dizer o que havia acontecido. Quando vi outras duas pessoas em situação parecida, com um desfalque de R$ 100 mil e R$ 150 mil, procurei a polícia.”
A fraude também atingiu o Sin-dicato dos Metalúrgicos de Franca. Segundo o diretor financeiro Jean Mari Floro de Souza, 31, o Pague Bem da General Carneiro recebeu R$ 31 mil para pagamento do plano de saúde dos sindicalizados. “Levei o boleto com o pagamento no dia 15 e dois dias depois fui informado pela Santa Casa que a conta estava em aberto. Procurei o Pague Bem e uma funcionária disse que o sistema estava com problemas e que não haveria prejuízo. Fiquei tranquilo, mas esta semana fui cobrado de novo e, quando puxei o extrato, vi que o valor já havia sido descontado no mesmo dia.”
A REDE
A rede Pague Bem iniciou suas atividades no mercado financeiro em Minas Gerais e São Paulo em 2005, prestando diferentes serviços como correspondente bancário.
O Comércio tentou contato com a rede Pague Bem por telefone e e-mail durante a sexta-feira, mas não obteve retorno. O BB investiga o caso (leia texto nesta página).