Anoitece em mim e no mundo.
Penso em fechar as portas, no entanto, abro mil janelas:
“Tudo o que muda a vida vem quieto no escuro”.
Uma lua muito clara subindo, subindo...
Bacia de luz respingada nas copas das árvores,
Nos telhados dos edifícios, nas nuvens...
Desperta o lago profundo de meus olhos,
Esgarça a minha neblina
E, lanterna de vidro líquido, vagalumeia a minha alma.
Cumpre sua rota, rasgando a treva, Vencendo o espaço, joeirando luz pelo caminho.
Escorre de mim um canto sereno e doce
Que sobe com ela, água aromada pela brisa,
Asa de anjo roçando a sombra,
Inquietando as franjas da noite.
Um arco-íris se desenha entre os astros.
Equilibrando-se na ponta do mundo, meu canto é quase verso.
Debruçada no infinito, a Lua versa o universo de meu canto.