As explicações da secretária de Educação, Fabiana Sampaio, para o imbróglio que ela mesma criou com os professores da Rede Municipal de Ensino, deixa patente a falta de uma direção política da administração do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Tardia, a manifestação foi também uma prova de descaso para a categoria, Esta briga por seus direitos e busca ver concretizada uma reivindicação que se arrasta há anos, tornando-se a principal causa de manifestações da categoria, não apenas em nível municipal: a implantação de um plano de carreira. Ou seja, não é um assunto novo ou nada de que as últimas administrações municipais (das quais participou o atual prefeito) não tivessem conhecimento.
Uma semana após os professores protestarem contra o governo municipal na tribuna da Câmara dos Vereadores, a secretária de Educação, apenas depois de convocada pelo Legislativo, ocupou o mesmo espaço para dar suas explicações. De forma tardia (ela deveria ter se manifestado logo após os professores apresentarem sua versão), Fabiana Sampaio foi vaga ao não apontar caminhos concretos para o atendimento dos pleitos dos professores e resolução dos problemas estruturais das unidades de ensino da cidade. Saiu-se com promessas e nada mais. E, por razões que se poderão ver a seguir, elas já não encontram uma ressonância junto à categoria ou à população francana.
A falta de habilidade política, uma tônica do governo de Alexandre Ferreira, ficou patente quando a secretária abordou o desconto do salário dos professores que faltaram para realizar um protesto pelas ruas da cidade. Depois de prometer abonar a falta em e-mail enviado aos mestres, voltou atrás e se explicou: ‘a legislação não permite este tipo de abono’ e que ‘seria injusto para com os professores que trabalharam’. Houvesse um pouquinho mais de experiência, Fabiana teria agido de outra forma. No final, os professores que tiveram a garantia de que o ponto não seria cortado saem do episódio sentindo-se ludibriados. Acabaram pagando o pato.
O que não se entende, de fato, é a razão da administração ter criado uma dimensão tão grande, inexplicavelmente, para um fato que poderia ter sido resolvido rapidamente, sem alarde ou estresse. Afinal, quantas vezes governos federal, estaduais e municipais resolveram abonar as faltas de categorias em greve? Não há outros fatos mais graves, não ilegais, mas sabidamente imorais, que são conduzidos por entes públicos na direção de um final menos estressante? E os ilegais, então? O pagamento do dia parado aos professores que participaram da manifestação passou a ser um dever da Prefeitura Municipal, principalmente pela garantia da secretária. As explicações não convenceram ninguém. Afinal, depois do episódio, qual credibilidade suas promessas terão se, neste caso bastante específico, disse que faria e depois voltou atrás?