A visita do Papa Francisco ao Brasil, além de uma oportunidade para a Igreja Católica trilhar novos caminhos, reavendo o grande número de fiéis que vem perdendo com o correr dos anos, poderia causar a verdadeira revolução que o povo brasileiro espera junto à classe política nacional. Além de simples, o papa argentino mostrou-se brincalhão e desenvolto. Francisco, ainda no avião que o levava ao Rio de Janeiro, perguntou aos jornalistas que o acompanhavam por que o Brasil queria ter um papa nacional se Deus já era brasileiro? E desde que foi empossado no trono de Pedro o supremo chefe da Igreja Católica Apostólica Romana deu seguidas provas de que o Vaticano vive novos tempos, principalmente ao abandonar a pompa que a liturgia do cargo sempre impôs.
Caso os políticos e autoridades públicas brasileiras seguissem o exemplo de Francisco, os rumos do País seriam profundamente modificados o que, certamente, causaria um impacto bastante positivo na população. Assim que foi eleito papa, o então cardeal Jorge Bergoglio preferiu ficar em pé para receber os cumprimentos de seus pares do conclave, em vez de se sentar no trono papal. Além disso, dispensou carro e seguranças após o conclave e deixou a Basílica de São Pedro de ônibus com os cardeais. No dia seguinte, foi ao hotel onde havia se hospedado, pagou do próprio bolso a conta e retirou seus pertences, antes de ir para o Vaticano.
Despiu-se de qualquer símbolo de ostentação, já a partir do momento em que foi anunciado como novo papa no balcão da Basílica de São Pedro: usa uma veste toda branca, abrindo mão da mozeta (um precioso manto sobre os ombros bordado em ouro), mantém o solidéu branco na maior parte dos eventos, recusa-se a usar a cruz de ouro utilizada pelos papas (ficou com a simples cruz de metal que ostentava ainda antes de ser bispo) e pediu para que o anel de São Pedro, símbolo de sua posição, fosse feito de prata em vez de ouro. E, o principal: ao participar de qualquer evento no Vaticano senta-se em um simples trono de madeira, dispensando o de ouro que era utilizado pelos papas anteriores. Como jesuíta, propaga o valor da simplicidade e realmente a aplica em suas ações.
Diante disso, a farra que as autoridades com cargo eletivo fazem com o dinheiro público em viagens, pagando contas pessoais e mantendo um estilo de vida que não condiz com a realidade da grande maioria do povo brasileiro é vergonhosa. As manifestações de junho passado, que ainda não foram bem compreendidas pela classe política brasileira, deixaram claro que o brasileiro não aceita mais pagar benefícios que não são estendidos a todos. O exemplo de Francisco precisa ser assimilado e seguido por aqui. Estas seriam as maiores lições de sua passagem pelo Brasil: desprendimento, humildade e simplicidade.