Uma reunião ontem expôs o racha entre os membros da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga suspeitas de irregularidades na construção do Viaduto “Dona Quita”. Desta vez, o pivô foi o vereador Claudinei da Rocha (PP). Ele, que é o relator da comissão, se recusou a apresentar suas conclusões aos outros membros da CEI antes do fim do prazo para a entrega do relatório final - 1º de agosto. Só acabou cedendo depois da insistência do presidente da comissão, Márcio do Flórida (PT). No final, ficou acertado que o parecer será entregue dia 30, às 18 horas.
A reunião para definir a entrega do relatório final da CEI do Viaduto era para ser tranquila. Mas um pedido feito por Márcio do Flórida deixou clara a falta de entendimento entre os membros da comissão. Flórida, que lidera a oposição ao governo de Alexandre Ferreira (PSDB), pediu ao relator que apresentasse suas conclusões com pelo menos cinco dias de antecedência do prazo final. “Eu preciso analisar suas conclusões para saber se concordo ou não. E no caso de discordar, preciso justificar a minha discordância para que possa apresentar meu próprio relatório. Por isso, lhe peço o bom senso de apresentar ainda que apenas para os membros da comissão o relatório final no dia 26.”
Claudinei não concordou. “Eu tenho o prazo até o dia 1º, não tenho por que apresentar antes. É muita coisa para ser analisada. Esse prazo é impossível. O que diz o regimento interno? É dia 1º. Então apresento dia 1º.”
Para tentar um acordo, o terceiro membro da CEI, o vereador Donizete da Farmácia (PSDB), contemporizou. “Será que não dá para ser um pouco antes, Claudinei? Vamos ser justos”, pediu.
Claudinei permanecia inflexível. Só cedeu depois de muita insistência de Márcio do Flórida e de Donizete. “Está bom. Então, apresento dia 30. Acho que é o suficiente para você ler e se preparar”, disse ao petista, já visivelmente irritado. Depois se levantou e disse que não dará entrevistas sobre seu relatório e suas posições.
Márcio do Flórida disse que, diante do prazo deixado por Claudinei, fará um outro relatório paralelo. “Ele não me deixou alternativa. Vou fazer o meu à parte, porque não posso deixar para começar algo assim, dois dias antes do prazo.” Sobre as discussões, preferiu não comentar abertamente. “Vou esperar o relatório do Claudinei para me posicionar.”
Agindo como intermediador das discussões, Donizete da Farmácia disse que os desentendimentos são normais. “Faz parte.”
Com a apresentação de dois relatórios, será lido no Plenário o que conseguir a assinatura de Donizete. O outro não terá leitura oficial, mas poderá ser encaminhado a órgãos oficiais e à Promotoria.