Até algumas décadas atrás, a maioria dos jovens recebia grande parte da formação como pessoa e cidadão, dentro da igreja
Nós tivemos o privilégio e a honra de sermos, podemos dizer, ‘moldados’ através dos ensinamentos recebidos da Igreja Católica Apostólica Romana. Em nossa família, tivemos contato com o que então se chamava ‘tipografia’, hoje gráfica, no trabalho de meu pai Rossini, e de meu tio Verdi. Eles trabalhavam no jornal Aviso da Franca, que era impresso nos fundos da Igreja Nossa Senhora da Conceição (Matriz) de Franca. Levavam-nos até lá para que tivéssemos contato com os tipos (letras) para compor artigos e matérias jornalísticas, as tintas, os papéis, máquinas etc. Foi ali que começamos a gostar da leitura além de ter relacionamento religioso que nos proporcionou crescimento moral, ético e de visão da vida, através dos contatos com padres e irmãos que ali viviam. Os anos passaram, porém, ainda guardamos em nossa memória os vários ensinamentos recebidos que utilizamos durante nossa vida e que têm parcela sobre todo o crescimento que conseguimos.
Resultados do Censo 2010, divulgados em 2012, demonstram que o catolicismo, nas últimas décadas, vem sofrendo grande perda entre jovens, seguidos pelas mulheres. As novas gerações estão mais afastadas das igrejas, primeiro, em razão de que, diminuindo o número de mulheres, consequentemente de mães, que são as primeiras formadoras da religião de seus filhos, o afastamento da vida religiosa se torna óbvio. Em segundo lugar porque jovens não querem somente ‘missas badaladas’, padres cantores, megatemplos etc. A juventude está sedenta de comunicação de qualidade, com credibilidade e confiança mútua. Anseiam que os líderes católicos conheçam a juventude, assimile e escute suas opiniões, que os jovens tenham canais de efetiva participação e não somente para serem utilizados em alguns momentos.
Para compreender a juventude atual é necessário evitar acreditar que, porque já fomos jovens, a conhecemos. Isso é utopia. Cada geração é diferente da outra, em razão dos avanços tecnológicos, das mudanças de pensamentos etc. Assim, cada geração tem suas diversidades, suas transformações, seus valores e, igualmente, seus problemas. O grande questionamento é: quem são os jovens atuais e o que desejam? E a resposta, apesar de simplória, ainda não foi digerida e aceita por alguns líderes religiosos que ainda acreditam estarem na época em que a igreja dominava sem a necessidade de se adequar: os jovens atuais são impulsionados pelo desejo de participar das decisões envolvendo a vida social, de transformar heroicamente o mundo, e de colaborarem na construção de uma sociedade onde reine a justiça social e a ética.
O jovem católico não pode ser visto como um leigo típico, que, queiram ou não, nos últimos tempos foi reduzido a posição secundária. Os jovens anseiam sua efetiva participação e, para que isso ocorra, é necessário quebrar algumas barreiras nas estruturas clericais de poder, centralizador nas tomadas de decisões. A propósito, outro dia assistimos a uma cena, durante cerimônia de casamento, que demonstra o despreparo de alguns colaboradores da igreja, ao não deixar que a porta de entrada fosse aberta para a entrada de floristas e padrinhos. Ora! É neste momento que a igreja tem que cativar seus fiéis, principalmente o jovem casal que inicia a formação de nova família! Da forma como alguns agem, mais afastam do que atraem a coletividade.
É exatamente nesse ponto que a maioria dos católicos aguarda, com grande expectativa, as mudanças que o Papa Francisco, pela sua forma de agir, com certeza fará durante seu papado. Porém, tais mudanças têm que ser entendidas como parte da evolução dogmática da igreja e não somente para dar atendimento à ‘clientela’, como vemos por toda parte. O grande desafio do catolicismo, na atualidade, é conseguir reverter a redução de seus jovens fiéis. Se assim não, com certeza, nos próximos censos demográficos, continua patente a redução dos fiéis da igreja católica.
A POLÍTICA EM CAPETINGA
A vizinha cidade de Capetinga/MG, que sempre esteve relacionada com o personagem artístico Nerso da Capitinga (cidade fictícia), domingo, foi destaque no programa Fantástico da Rede Globo. Em vídeo, gravado em 2012 durante a campanha eleitoral, o ex-senador e atual deputado federal Aelton Freitas (PR/MG), ensina como se disputa uma eleição, como comprar votos e espalhar boatos para atrapalhar a campanha eleitoral dos concorrentes. Em razão das regras existentes e da falta de punição exemplar, não nos surpreendeu a prática da compra de votos, infelizmente comum em todo Brasil, não sendo privilégio de pequenas cidades. Porém o que nos surpreendeu foi a declaração dada pelo ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Arnaldo Versiani, ao afirmar que ‘o vídeo, por si só, não prova que qualquer crime tenha sido cometido’. Respeitamos a opinião do nobre jurisconsulto, mas pela simples confirmação de um eleitor de que vendeu seu voto, os envolvidos, mesmo que não eleitos, deveriam ter seus direitos políticos cassados, aplicada a legislação específica que determina que a pena para a compra de votos pode chegar até quatro anos de prisão, mais multa. Agora, quanto ao deputado federal, que no momento dava uma ‘assessoria para ilícitos’, no mínimo, deve ser encaminhado para a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados e seu partido, o PR, se for sério, deveria expulsá-lo de seus quadros.
AMIGO JOSÉ LÚCIO
Foi com grande tristeza que recebemos a notícia do falecimento do amigo e companheiro Dr. José Lúcio Gonçalves, com o qual tivemos a satisfação de compartilhar momentos, principalmente nos intervalos e folgas de aulas, quando juntamente com o Luiz Gabriel Marangoni andávamos pela Unifran jogando conversa fora. Bons tempos!
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br