10 de julho de 2026

‘Não morreu ninguém inocente’, diz proprietário da Morada du Capiau


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Lucas Rentao de Souza: “Não é isso que irá sujar a imagem do Capiau... vamos tocar o barco daqui para frente”

O tiroteio, no interior da casa de shows Morada du Capiau, na madrugada da última terça-feira, 16, iniciado pelo comerciante Elber César da Silva, de 29 anos, e que resultou em sua própria morte, foi um dos assuntos mais comentados na cidade de Franca, esta semana. Natural de Ituverava (SP), o comerciante era frequentador assíduo, segundo o proprietário, da casa noturna conhecida na região por seu estilo inconfundivelmente sertanejo. Ele foi morto com três tiros (dois no abdome e um no braço) por um policial militar de folga e à paisana. Em meio a um turbilhão de críticas, o ex vendedor de sapatos e atualmente sócio da bem-sucedida casa caipira, Lucas Renato de Souza, 39, concedeu uma entrevista exclusiva ao Comércio, na qual falou sobre o triste episódio e a origem do empreendimento que atualmente reúne cerca de 1.500 pessoas a cada “segunda-feira feliz”.

Para Lucão, como é chamado pelos amigos, o que aconteceu naquela madrugada foi uma tragédia, mas, sem meias palavras, expõe claramente o que pensa sobre a morte do comerciante: “da forma que o fato se passou, foi dos males o menor. Não morreu ninguém inocente. Na verdade, a pessoa entrou aqui atirando e tinha um policial. Ele se defendeu e defendeu a gente também. Foi por Deus”, disse o proprietário, que afirmou não ter qualquer vínculo empregatício com o policial responsável pelos disparos, conforme aventado em comentários nas redes sociais. “Muitos policiais frequentam o Capiau. Naquela segunda-feira (15), tinha uns 20 policiais por aqui. Não contratei ele para fazer segurança, era só um amigo como todos os outros”.

Em sua avaliação, o incidente prejudicou a imagem do lugar que é muito frequentado por famílias. Apesar disso, ele nem pensa em abandonar o empreendimento. “Não é isso que irá sujar a imagem do Capiau. Nós estamos de cabeça erguida e vamos tocar o barco daqui para frente. Estamos preparados para essa questão de segurança”, disse ele que, pela segunda vez ao longo da história da Morada, lida com problema envolvendo violência.

A primeira ocorrência de repercussão se deu em agosto do ano passado, quando a Morada ainda era a República du Capiau, na Vila Marta. O sucesso dos capiais já era grande nesta época e mesmo sem contar com estacionamento, usando equipamento de som alugado e comprando cerveja por consignação, era possível levantar um bom dinheiro. O sucesso chamou a atenção de bandidos que invadiram o local. Armados com metralhadoras, três indivíduos entraram na casa durante a madrugada e roubaram alguns clientes. “Foi um negócio assustador, mas aconteceu com meia dúzia de pessoas. Não tem porque as pessoas compararem uma coisa com a outra e dizer que o Capiau não é um lugar seguro. Naquela oportunidade fomos assaltados e desta vez foi uma tragédia, não tínhamos como evitar.” (Veja a íntegra da entrevista no portal gcn.net.br).

A TRAGÉDIA
Segundo as autoridades e testemunhas que estavam no local no momento do tiroteio, o incidente aconteceu por volta das 4 horas e foi motivado por uma discussão, ocorrida horas antes, entre um adolescente de 17 anos - funcionário da lanchonete do comerciante morto - e outra pessoa no interior da Morada. Horas depois da confusão, Elber saiu e voltou. Armado com um revólver 38 com numeração raspada, tentou entrar no estabelecimento “na marra” e foi detido por seguranças. Interpelado pelo PM à paisana, após agredir com coronhadas um dos funcionários da Morada, o comerciante atirou duas vezes contra o soldado que reagiu e também disparou, alvejando Elber. Ele foi levado para a Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.