08 de julho de 2026

Cremesp e Sindicato dos Médicos criticam programa


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Ao menos três autoridades médicas da cidade apresentam ressalvas para a instalação do programa Mais Médicos. O conselheiro responsável do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) de Franca, Lavínio Camarim, é um deles. “A política do governo é inadequada para conduzir a saúde pública. O principal problema não é a falta de médicos, e sim a falta de investimento, as condições indignas de trabalho e os salários baixos que a rede pública de saúde oferece”, afirma. “Esse cenário não é resolvido com a vinda de médicos estrangeiros, que não irão passar por provas nem falar nossa língua, ou levar recém-formados ainda não habilitados para atender a população mais carente. Queremos trabalhar, mas com dignidade.”

O médico sugere como alternativa para o programa a criação de planos de carreira para a categoria. “Além disso, é preciso atender a população mais necessitada não só com médicos, mas com profissionais, como enfermeiros, psicólogos e dentistas.”

O presidente do Sindicato dos Médicos de Franca, Marco Aurélio Piacesi, também tece críticas ao programa. “Você obrigar um médico a ficar dois anos num local que ele não escolheu fere a Constituição. Além disso, o médico, nesses dois anos, não vai receber direitos trabalhistas, como férias, 13º salário e fundo de garantia.”

No entanto, Piacesi afirma que a estrutura física existente em Franca é de razoável para boa. “Aqui, o problema é de gestão. O salário pago não é compatível com nossa carga horária. Então, há um desinteresse da classe médica em trabalhar nos órgãos públicos de Franca”, critica o presidente. Piacesi finaliza informando que a cidade de Franca possui 700 médicos na ativa que, segundo ele, é um número suficiente para as necessidades da população. “Faltam médicos na rede municipal, porque eles não querem trabalhar nela.”

O coordenador do curso de medicina da Unifran, Sinésio Duarte, também acredita que a medida federal não é o suficiente. “Sabemos da necessidade de expandir o atendimento, porém, sem melhoria da estrutura existente, tal medida não trará benefícios. Além disso, não está esclarecida a constitucionalidade da mesma.” Hoje, o curso de medicina está em sua segunda turma, com um total de 128 alunos.