11 de julho de 2026

Grupo faz arrastões em lojas do Centro e aterroriza lojistas


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Base da PM fica na Praça Central; lojistas a querem na Praça dos Correios. Polícia diz que mudança não é possível

Em grupos que variam de seis a dez garotas, elas agem no início da tarde em dezenas de lojas do calçadão no Centro. Organizadas, têm planos de ação predefinidos e estratégia acertada para roubar ou furtar roupas, equipamentos eletrônicos e acessórios. A detenção de duas delas na tarde da última quarta-feira foi apenas mais um capítulo. Segundo seis comerciantes do Centro, os arrastões promovidos pelas garotas têm se tornado rotina.

As garotas agem sempre em grupo. Ao identificarem algo que queiram levar, entram nas lojas dividas em dois grupos. O primeiro tem a missão de distrair as vendedoras e os chamados olheiros, responsáveis pela fiscalização. O segundo grupo, normalmente formado por menores de idade, entra logo depois para pegar os objetos. Nem sempre se preocupam em esconder a ação.

Uma vez com as peças em mãos, o bando corre e logo sobe em um dos ônibus que passam no Terminal “Ayrton Senna”. “Algumas nós já identificamos. Até temos um código de sinais para avisarmos umas às outras quando elas chegam”, disse Giovana Nascimento, de 44 anos, que trabalha como gerente em uma das lojas furtadas.

A gerente de outra loja de roupas femininas, que pediu para não ser identificada, disse que o grupo começou a agir há cerca de seis meses. “São poucas as lojas aqui que não tiveram problemas. Eu já perdi a conta do número de vezes que levaram algo daqui”, disse.

Na última quarta-feira, a Polícia conseguiu prender duas garotas, a sapateira desempregada Aline Alves de Souza, 24, e sua vizinha de 13 anos. Segundo o delegado que cuida do caso, Luiz Carlos da Silva, elas teriam agido em mais de 10 estabelecimentos.

Revoltados com os sucessivos arrastões, os lojistas pedem providências à Polícia. “Precisamos de mais segurança. Queremos pelo menos um policial aqui, porque se percebermos algo vamos ter a quem avisar antes que o furto aconteça”, disse Bruna Gonçalves, 23, gerente de uma das lojas roubadas na tarde de quarta-feira.

Giovana Nascimento disse que o ideal seria que a base móvel da Polícia que, normalmente, fica estacionada na Praça Central fosse transferida para o Terminal ou para a Praça dos Correios. “Eu não entendo porque eles ficam lá, onde quase não tem movimento. Enquanto aqui é sempre cheio de gente, tem todo o movimento do terminal. Acho que eles poderiam pelo menos fazer um teste, ficar aqui por uns dois meses, quem sabe as coisas não melhorariam”, disse.

Todos os comerciantes foram unânimes em afirmar que se sentem de mãos atadas diante dos arrastões. “Elas chegam em bandos, distraem e roubam. Quando percebemos, estão saindo. Até corremos atrás, mas elas se espalham. A polícia deveria fazer algo”, disse uma gerente que não quis se identificar.