Quando desembarcou em Maputo, capital de Moçambique, a jornalista francana Aline Cristina Camargo, 22, tomou um choque. A cidade, com mais de um milhão de habitantes, possui problemas de infraestrutura, como falta de água, coleta e reciclagem de lixo, além de condições precárias de transporte, educação e saúde. No entanto, ao invés do cenário desanimar a jovem, os problemas do município africano a impulsionaram ainda mais. “O povo daqui nos motiva todos os dias, a mim e aos outros intercambistas, a tentar fazer o melhor que podemos e levar daqui a melhor experiência possível”, diz.
Ela se inscreveu em um programa de intercâmbio da organização sem fins lucrativos Aiesec para ser voluntária em Maputo, e ficará na capital até o dia 20 de agosto. Até lá, juntamente com outros voluntários brasileiros, ela tem uma missão: construir uma biblioteca para 1365 crianças de 6 a 12 anos de uma escola primária de Maputo. Para isso, ela vai contar com a solidariedade dos brasileiros e, principalmente, dos francanos.
A CAMPANHA
Inicialmente, Aline trabalharia em uma ONG chamada Nhamai, que atende crianças e mulheres vítimas de violência doméstica, mas a vontade de contribuir era tanta que a jornalista decidiu auxiliar uma das escolas primárias de Maputo também.
Ao conviver com as crianças, Aline mais uma vez notou uma deficiência no município. “A falta de livros didáticos e principalmente de literatura dificulta o trabalho dos professores, além de impossibilitar o desenvolvimento das habilidades que a leitura proporciona, como a imaginação, a memória e a construção do vocabulário”, afirma a jornalista. “Muitas crianças moçambicanas têm muito tempo ocioso pela falta de opções de lazer, o que se agrava nas áreas periféricas. Assim, o livro, além de tudo, pode ser companhia e instrumento de transformação dessas crianças”, afirma a jornalista.
Foi então que surgiu a ideia de arrecadar livros aqui no Brasil. A campanha possui uma página do Facebook (chamada “Doe um Livro para Moçambique”), e já conta com 531 participantes confirmados até o fechamento desta edição. Na página, Aline explica que um livro básico em Maputo custa em média R$ 40, o que é muito para os seus habitantes. “A realidade nas escolas públicas é bastante difícil. Muitas crianças não têm sapatos ou dinheiro para o lanche, e até mesmo para fazer provas é necessário pagar uma taxa”, completa ela, no texto da campanha.
E Franca conta com um ponto de coleta, além de Bauru, Campinas e Maringá (PR). O endereço para a entrega de livros - que podem ser infantis, de literatura em geral ou mesmo gibis - na nossa cidade é a rua José Salomoni, 236, no Parque das Acácias. O prazo para a doação é dia 8 de agosto, e os livros deverão ser levados por uma companhia aérea para Moçambique.
Para a estrutura física da biblioteca, Aline e outros voluntários também estão arrecadando fundos. A campanha financeira, intitulada “Moçambique Quer Ler”, também tem página no Facebook. Ao todo, a obra deverá custar cerca de R$ 3 mil. Os interessados podem depositar qualquer quantia na conta de Aline do Banco do Brasil. O número da agência é 6533-1 e o número da conta corrente é 11044-2. As doações podem ser feitas até o próximo dia 25. “Estou otimista (com as campanhas), e acredito que além disso ainda vamos conseguir atender outras crianças de outras ONGs daqui”, finaliza Aline.
Campanha
“Doe um Livro para Moçambique”
Data: Até 8 de agosto
Local: Rua José Salomoni, 236, Parque das Acácias
O que pode ser doado: Livros infantis, de literatura em geral e gibis
Link: https://www.facebook.com/events/300182566792629/?fref=ts
Campanha
“Moçambique Quer Ler”
Data: Até 25 de julho
O que pode ser doado: dinheiro para a estrutura física da biblioteca, através de depósito em conta corrente 11044-2, agência 6333-1, Banco do Brasil
Link: https://www.facebook.com/events/493754264044455/?ref=ts&fref=ts