08 de julho de 2026

O morro do diabo


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Em meados de 2010, em férias, visitamos o Parque Estadual do Morro do Diabo, no Oeste paulista. É uma das mais importantes áreas de proteção da biodiversidade do Estado, às margens do rio Paranapanema, na divisa dos Estados de São Paulo e Paraná. Nele vive o mico-leão-preto, ameaçado de extinção, ao lado de outras espécies da Mata Atlântica Interior, já reduzida a fragmentos em todo o Estado, mas que lá está se regenerando aos poucos. Além da questão ambiental, chamou a nossa atenção também as histórias que ouvimos por lá. Uma de onça que, diferentemente daquelas tradicionais e que os mais antigos sempre têm pra contar, eu não só ouvi como pude comprovar por testemunhos e por um vídeo exibido na sede do parque. Consta que um pesquisador passou por lá no início de 2009, para estudar a onça pintada no seu habitat. Como suporte, solicitou um cinegrafista e um guarda-parque para acompanhá-lo no trabalho, estes últimos, funcionários da reserva. Mas, há uma máxima entre os entendidos, segundo a qual não há que se falar em encontrar onças. Elas só são vistas quando querem e, nesse caso, elas é que nos encontram. Coincidência ou não, a equipe do pesquisador andou o dia inteiro procurando, mas parece que as onças haviam se evaporado, embora todos soubessem que elas vivem naquela região, e que a sede do parque constitui parte do território delas. Mas o pesquisador desistiu do encontro. Após haver coletado alguns dados, pegou o seu automóvel e foi embora, deixando o cinegrafista e o guarda-parque no portão de entrada da reserva, onde haviam deixado uma motocicleta. Por estar relativamente perto da sede o guarda-parque resolveu voltar para o alojamento a pé. O cinegrafista aproveitou para fazer as últimas imagens do colega se afastando pela vereda aberta na mata. O guarda-parque, que ficara meio inconformado por não haver “apresentado” a onça ao pesquisador, caminhava devagar, examinado cuidadosamente o chão. A certa altura começou a voltar na direção do cinegrafista, como se houvesse encontrado algo. Este último, assombrado, começou a gritar ao colega: “Roberto, trás d’cê! Vem pra cá, cara”, enquanto a câmara fazia imagens desfocadas e cambaleantes. O guarda-parque olhou para trás e viu uma onça pintada grande caminhando na sua direção. Sem fazer movimentos bruscos, virou-se de frente para o felino e começou a recuar rápido, andando para trás, na direção do cinegrafista. Quando se aproximava do colega, notou que outra onça saía do mato há poucos metros de si outra vez. Descobriu, apavorado, que estivera entre as duas e que fora observado enquanto procurava pistas na estrada. Examinadas as imagens e o comportamento das onças, soube-se depois que se tratava de um casal em atos de corte. Por isso não se interessaram pelo guarda-parque. Embora tivesse assistido ao vídeo, e o caso das onças fosse o assunto do momento no local, procurei pelas personagens da aventura para saber alguns detalhes a mais, mas fui informado pelo Diretor do parque que ambos haviam se demitido havia algum tempo. Quem quiser assistir ao vídeo na Internet, basta pesquisar o título Parque Estadual Morro do Diabo.