Calculadora e tabela de cores em mãos denunciam quem vem para comprar na Francal 2013. Nos estandes, as negociações tem sido duras. Chegar num acordo sobre preço e prazo de entrega pode levar horas. A meta dos lojistas é fazer as compras que abastecerão os estoques do Natal pelo menor preço possível.
Dificilmente os lojistas vêm sozinhos para a feira. A decisão de compra é sempre compartilhada com um sócio ou colega de trabalho. Como os consumidores comuns, a maioria só assina o pedido depois de muita pesquisa e andança para descobrir os lançamentos que a indústria calçadista oferece.
Responsável pelo setor de compras de uma rede de lojas em Campinas, Eduardo Urbano chegou cedo à Francal 2013. De olho em calçados masculinos, femininos e infantis, ele disse que o preço é o primeiro item a ser observado. “A gente sempre quer as novidades dentro do melhor preço”, disse o lojista que veio acompanhado da sócia Rafaela Aguiar e da gerente Flávia Carvalho. “É bom ter mais de uma opinião."
Ontem, o trio visitou estandes de Franca e, em um deles encomendou, 60 pares de bachuce. Começou também um contato para a compra de sapatênis.
No caso de calçados masculinos, a procura é por pares que custem entre R$ 50 a R$ 110 para o lojista. Já nos femininos, os preços mais atrativos não passam dos R$ 60. “Para o público feminino você consegue rasteiras por R$ 15 e um sapato top a R$ 40”, disse Thaís Magacho, compradora da rede Zappato do Rio de Janeiro.
Segundo a lojista Tânia Brandão, proprietária de lojas no Paraná, a compra deve ser planejada para não estourar o orçamento e levar em conta o gosto do consumidor e o que está na moda. Para a Francal, Tânia programou a compra de 400 pares masculinos e 600 femininos. “No feminino, a prioridade é por sapatos do Sul e de Jaú e, para o masculino, Franca sempre vem em primeiro lugar.” Ela não o gasto previsto.
IMPORTADORES
Mas não são somente lojistas brasileiros que circulam pela Francal. O Espaço Moda Franca, que reúne 24 micro e pequenas empresas, recebeu nos dois primeiros dias de feira grupos do Equador, Nigéria, México, Costa Rica e até do Kuwait. “Primeiramente eles querem saber a empresa tem interesse no mercado deles e só depois perguntam o preço”, disse o agente exportador Gilson Garcia. Segundo ele, os estrangeiros também procuram por conforto e tem muita noção de qualidade. “Apesar de ainda não terem preferência por polos produtores, a escolha é cuidadosa e há muita reclamação de custo.”
Garcia disse que o volume de pares negociados com os estrangeiros dificilmente atinge os 5 mil pares. “Eles ainda não têm condições de compra de volumes grandes, por isso fazem pedidos testes. Caso gostem, eles voltam a negociar.”
A organização da Francal não divulgou estatísticas oficiais de visitação da feira. Mas Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal Feiras, disse que no primeiro dia passaram pelo Pavilhão do Anhembi 4,5 mil lojistas a mais que no primeiro dia da feira do ano passado e 8% a mais de compradores estrangeiros.