08 de julho de 2026

Cara de palhaço


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Tal qual autoridades do governo federal — como os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Henrique Alves, e o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, os três do PMBD — que aparentemente sentem-se refratárias à voz do povo brasileiro que se elevou nas ruas em grandes manifestações no mês passado, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) deve se acreditar autossuficiente ao não considerar os interesses do povo francano. Novamente volta a acreditar que todos temos cara de palhaço ao fechar, na surdina, um acordo com a Empresa São José, permissionária do transporte coletivo da cidade, cancelando exigências do contrato assinado para a exploração do serviço no município.

O prefeito jogou no lixo, no dia 4 de abril, todo um processo judicial que se arrastava havia dois anos discutindo os valores e as obrigações que a empresa deveria cumprir para continuar explorando o serviço. E o que é pior: escondeu de todos e o fato só veio a público através de reportagem investigativa publicada na edição de domingo do Comércio. Uma atitude bastante estranha de quem se apressa em convocar imprensa, vereadores, autoridades e interessados a qualquer anúncio que é feito no Paço Municipal. E isso acaba colocando em suspeição quais os reais interesses desse tipo de acordo, uma vez que desconsiderou pontos do contrato responsáveis por afastar outros interessados na licitação para operar o transporte coletivo urbano em Franca.

Uma série de exigências feitas no contrato assinado em 2009, desde então, nunca foram cumpridas. E nenhuma multa foi paga por isso, ao contrário do que previa o documento. Logo após a publicação da notícia, o Portal GCN passou a receber uma série de mensagens de francanos indignados, muitos se dizendo inconformados com a atitude de Alexandre Ferreira. O que se estranha ainda mais, se é que isso é possível, é o silêncio do prefeito. Mesmo diante da notícia pulicada pelo Comércio e da repercussão negativa que ela alcançou, o prefeito Alexandre Ferreira continuaria quietinho, escondendo de todos este acordo, tal qual uma criança que faz algo errado. Cala-se, não é encontrado pela reportagem e nem destaca qualquer assessor para responder às indagações de seus eleitores.

Ao permitir que a Empresa São José passe a fazer o que bem entende — e é isso o que o acordo deixa claro —, Alexandre Ferreira esquece-se de que está no posto porque recebeu a maioria dos votos dos francanos, muitos dos quais ele deixa insatisfeitos. Não se pode mais creditar à inexperiência o ato assinado em abril. Mas que nome teria a falta de, ao menos, uma tentativa de explicação aos que o elegeram?