08 de julho de 2026

Estilista dá roteiro de estilo e compras


| Tempo de leitura: 5 min
Walter Rodrigues ensina os lojistas a comprar melhor na 45ª Francal

Moda, estilo e inspirações em calçados e acessórios deram o tom da conversa entre o estilista e consultor da Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), Walter Rodrigues, e a reportagem no Comércio da Franca nesta entrevista especial. O estilista, que foi destaque no Fórum de Moda & Marketing, que aconteceu ontem no Anhembi, em São Paulo, véspera da abertura da 45ª Francal, disse que uma das suas propostas é treinar o olhar dos profissionais do setor para que façam compras corretas ou absorvam o que de melhor a feira oferece.

Com carreira consagrada no mundo fashion, incluindo passagens pela Fashion Rio, São Paulo Fashion Week e semana de moda de Paris, Rodrigues tem know-how de sobra para inspirar e orientar até os visitantes ainda sem intimidade com a moda. Nascido e criado no interior paulista (Herculândia e Tupã), o estilista trilhou um caminho de sucesso na moda nacional e internacional. No ano passado, entretanto, o estilista optou por um redirecionamento na carreira: bateu retirada das passarelas e decidiu se dedicar com mais intensidade aos seus projetos de consultoria - dos quais a apresentação no fórum desta segunda é um dos frutos. Confira um pouco do estilo Walter Rodrigues.

Quais os principais temas que nortearam o Fórum de Moda & Marketing?
É importante entender porque o fórum acontece. Ele finaliza todo um trabalho de inspiração do qual falamos em setembro e outubro de 2012, e que resulta nas coleções primavera-verão 2013/2014. Agora é quando finalmente aquilo que propusemos de ideia vem para indústria de calçados. A ocasião é importante para mostrar para os lojistas o que tínhamos previsto com cores, formas de salto, construção de bolsas e sapatos. No fórum traçamos um paralelo de como isso foi resolvido pela indústria do calçado e como chegará às lojas. A feira mostra aquilo que a gente previu e que daqui a 6 meses o consumidor final vai usar.

Não raro encontrarmos pelos corredores lojistas menos experientes dizendo que estão na feira ainda sem uma definição do que pretendem comprar. Qual a melhor orientação para esses comerciantes, para o que eles devem estar atentos?
Uma pessoa que esteja vindo sem ter noção do que quer ou está buscando corre o risco de ter prejuízos. Acho que em um primeiro momento, o importante é prestar a atenção no que está sendo repetido na feira. Se ela olha e vê que uma cor se repete, uma forma se repete, é quase óbvio que isso será usado. Se a pessoa vai para a feira e não sabe o que ela vende, fico morrendo de medo dela. Você tem que ter noção do que vai criar como estratégia e também como planejamento.

A Francal recebe lojistas do Brasil inteiro e de outros países. Tem uma forma de orienta-los de acordo com os regionalismos?
A Francal tem um peso enorme no mercado brasileiro pela questão de ela ser a feira do Verão, que há uma aceitação maior, é a estação que realmente projeta a parte de varejo e temos um tempo muito maior de trabalhá-lo do que as outras estações. Sinto que, hoje em dia, se eu sou um comprador do Brasil ou do estrangeiro, é muito importante eu prestar atenção principalmente àqueles espaços coletivos onde os Estados e os Sebrae’s regionais apostam e trazem empresas. Vejo muita coisa nova e interessante nesses projetos. Geralmente essa questão regional cria um desejo de diferença: não é aquilo que o meu vizinho vende, o que já tenho em minha cidade, meu Estado ou País. Tenho a possibilidade de realmente encontrar o novo nesses espaços.

Ainda sobre as questões regionais, o que mais lhe chama a atenção no calçado francano?
Nos últimos tempos, o que eu tenho percebido de Franca é uma evolução muito grande e uma exploração maior do calçado feminino. Antes tínhamos Franca como um polo produtor de calçados masculinos, e isso vem mudando. O mais interessante é que Franca talvez seja, hoje, dentro do setor paulista de calçados, a cidade onde a gente tem mais maquinários interessantes, a gente consegue ter construções mais modernas. Não que Jaú não seja bacana, mas lá é muito mais manual, enquanto Franca já tem essa questão tecnológica muito mais desenvolvida. Franca tem uma linguagem mais clássica, diferente do que é feito no sul e no nordeste.

O que a gente pode chamar de tendência para o Verão 2013/2014, que é o foco da 45ª Francal?
A gente gosta de chamar de inspiração; tendência fica muito massivo, muito determinado. Um dono de loja tem que conhecer o seu público, saber o que o seu consumidor precisa. Entre as inspirações que a gente acredita muito estão, por exemplo, tramas naturais que lembram palhas; xadrezes, que podem ser inspirados até na cultura dos índios ou podem vir de trabalhos mais geométricos, mas trazendo este aspecto rústico de trama, de coloridos mais naturais com cores fortes. Pode ser marrom com cru, preto com cru, dourado com cru. Têm muitas cores fortes, cores vibrantes, que é uma característica de Verão e também uma característica do mundo. Estamos precisando de energia, de coloridos.

Em relação ao estilo de calçado, o que podemos esperar nas vitrines dos expositores da Francal?
No Verão as rasteiras sempre fazem sucesso. Ainda tem spike, não como grande novidade, mas ainda existe. Talvez a novidade seja quando ele venha na cor do material que ele está sendo trabalhado, seja couro ou laminado sintético. Então, se o material é vermelho, o material vem em vermelho. Não existe mais o contraste do metal sobre ele e a cor. A gente ainda acredita muito na questão do animal prints, principalmente dos leopardos e das onças, que continuam muito fortes. Já é questão de lifestyle.