O domingo chegou e os cristãos se reúnem para ouvir a Palavra de Deus
Hoje, a lição de Jesus é decisiva e direta para todos os que querem anunciá-lo. O único caminho é ‘anunciar a Paz’. As leituras são Isaías 66, Gálatas 6 e Lucas 10. Vamos às lições que os textos sagrados de hoje contêm para o norteamento de nossas vidas.
PRIMEIRA LEITURA: ISAÍAS 66.
Mudou alguma coisa no mundo depois de tantos anos de pregação do Evangelho? Se considerarmos quantas guerras são declaradas, quantas violências e injustiças são cometidas, quantas pessoas sofrem, quantas lágrimas são derramadas, surge em nós dúvida de que as promessas de felicidade e paz contidas no Evangelho algum dia venham a realizar-se. Quatro séculos antes de Cristo também os israelitas faziam a si mesmos esta pergunta.
A este povo desiludido é enviado por Deus o profeta que proclama as palavras de conforto contidas na leitura de hoje. Convida o povo a regozijar-se, a alegrar-se, a transbordar de alegria, porque os dias de luto se acabaram.
Esta profecia também é dirigida a todos nós. Para ser cristão não é suficiente ter fé em Deus e nem mesmo observar os mandamentos. É preciso também acreditar que todas as promessas do Senhor se realizarão; é preciso cultivar a certeza de que o mundo novo se manifestará, não obstante a maldade ainda estar presente com muito vigor. Também nós, como os israelitas aos quais o profeta proclamava a sua mensagem, durante a nossa breve existência não veremos o reino de Deus concretizar-se em toda a sua plenitude; só nos será facultado constatar algum pequeno sinal de sua vinda. Entretanto, isto deverá bastar para alimentar a nossa esperança, fundada com solidez no amor de Deus pelos homens.
SEGUNDA LEITURA: GÁLATAS 6.
Paulo está encerrando a sua carta e em poucas palavras resume o tema que apresentou aos gálatas. Diz ele: os meus adversários, os que estão aferrados às tradições dos antigos, vangloriam-se de ter na sua carne o sinal da circuncisão e, quando conseguem convencer alguém a imitá-los, não param mais de gabar-se. Quanto a mim, continua Paulo, não pretendo jamais gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O cristão não é identificado por meio de sinais externos. Jesus não carregava nenhum distintivo. O que o distinguiu de todos os outros homens foi a cruz, isto é, a doação total de si mesmo, feita com amor. Também os seus discípulos serão reconhecidos pela cruz. Serão cristãos se souberem, como o Mestre, oferecer a própria vida pelos irmãos. Portanto não a circuncisão, mas essa força de dar a própria vida é que constitui o sinal de que eles se tornaram novas criaturas.
EVANGELHO — LUCAS 10
‘Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir’. Assim começa o Evangelho de hoje. Ao afirmar que Jesus enviou 72 discípulos, Lucas, com certeza, quer dizer que o Evangelho não está reservado aos israelitas, mas se destina a todos os povos. Nenhum deles pode ser excluído. Os 72 são enviados dois a dois, para indicar que o anúncio do Evangelho não é deixado à livre iniciativa dos indivíduos, mas é obra de uma comunidade. Quem fala em nome de Cristo deve estar em comunhão com os irmãos de fé, não pode agir de maneira independente.
O objetivo do envio: preparar as cidades e os povoados para a vinda do Senhor: Jesus chega depois dos seus mensageiros, não antes, porque é preciso que as pessoas estejam dispostas a acolhê-lo. Em nossos dias o Senhor ainda não entrou em muitos ambientes (escolas, locais de trabalho, salas de diversão, clubes, grupos culturais, associações). Por que acontece isso? É ele que não quer entrar ou são nossas comunidades que não desenvolvem a própria missão de forma adequada e não preparam a sua vinda?
O lobo é o símbolo da violência e da arrogância. O cordeiro simboliza a mansidão, a fraqueza, a fragilidade: este animal só consegue salvar-se da agressão do lobo se o pastor intervém na sua defesa. Aparentemente o uso da força dá resultados, mas sempre se trata de resultados efêmeros; Jesus salvou o mundo, comportando-se como cordeiro, não como lobo. Jesus exige que os seus pregadores se apresentem ao mundo despojados de tudo: sem dinheiro, sem apoios políticos ou econômicos.
A mensagem de Jesus é outra. Eis as palavras com as quais o discípulo deve se apresentar: ‘Vim para trazer-te a paz, a paz para ti, para a tua família, para a tua casa. Este sim, é um anúncio que traz conforto, que desperta admiração, interesse, esperança, alegria! Em que consiste a obra de evangelização? As palavras, ensina Jesus, devem ser acompanhadas por gestos concretos de caridade; desvelo pelos doentes, assistência aos pobres...
O Evangelho pode ser aceito, mas também rejeitado. Deus nunca fica irado, não se vinga, não castiga quem não segue suas prescrições. Ele só tem bondade e misericórdia e ama sempre a todos, justos e pecadores. Quem não aceita Cristo arruina sua própria vida, torna-se responsável pela sua própria infelicidade e pelos seus próprios males e não encontrará a paz.
Terminada a sua missão, os 72 enviados voltam contentes e relatam a Jesus os resultados obtidos. Ele lhes responde: ‘Vi Satanás cair do céu como um raio’. Quando diz que Satanás caiu do céu, Jesus anuncia a vitória irresistível do bem. Com a proclamação do Evangelho, o reino do mal começou a desmoronar como um palácio em cujos alicerces foi explodida uma bomba poderosíssima. Continua: ‘Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo. Nada vos poderá prejudicar’. Eis aí outra imagem bíblica. Como Satanás, a serpente e o escorpião são símbolos do mal. Jesus não promete que não se defrontarão com perigos e dificuldades. Os ‘animais perigosos’ aparecerão, mas serão pisoteados pelos discípulos.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br