08 de julho de 2026

Quando mais é menos


| Tempo de leitura: 2 min

Que o trânsito de Franca está saturado, ninguém duvida. Transitar por certas vias em horários de pico é praticamente impossível. Há dias, este mesmo espaço já apontava para a falta de planejamento urbano como uma das principais causas do caos. E agora, na edição de ontem do Comércio, reportagem expõe o principal motivador: hoje, no município, existem dois carros para cada três habitantes. É um índice bastante alto e que cresce mais a cada ano. Se nada for feito, estaremos condenados a ver, possivelmente já na próxima década, um verdadeiro colapso nas ruas francanas. Há pontos que hoje não comportam veículos de grande porte ou mesmo não permitem o estacionamento de carros e motos. E a situação só tende a piorar.

De acordo com a manchete de ontem do Comércio, as estatísticas mostram que a frota total de veículos da cidade tem aumentado num ritmo muito mais acelerado do que a própria população da cidade. De 2000 a 2010, o número de habitantes de Franca foi de 287,7 mil para 318,6 mil, representando um aumento de 10%. Já o número de automóveis praticamente dobrou de 2002 a 2012, saltando de 104,7 mil para 208,1 mil. Como já se sabe, desde meados do século XX, as ruas de Franca (principalmente no centro) foram projetadas para cavalos e charretes. Quando os primeiros automóveis começaram a ocupar seu espaço nas ruas do município, ainda não havia atropelos. Mas a partir dos anos 1980, depois de intervenções urbanas que prejudicaram ainda mais a circulação da frota crescente de veículos, além de estrangular o tráfego em certos pontos, os problemas começaram a surgir. Em que pese alertas de urbanistas, nada foi feito. E chegamos aos resultados de hoje: ruas entupidas, vagas de estacionamento público escassas e lentidão no fluir do trânsito.

Embora o setor competente da Prefeitura Municipal reconheça o problema e prometa ações que permitirão apenas minimizar o caos dos dias atuais, não se vê uma luz no fim do túnel. O investimento em transporte público de qualidade é uma das saídas, já que contando com ônibus confortável, sem grandes lotações e de fácil acesso, certamente o motorista optaria por deixar seu carro em casa, melhorando o tráfego. Depende apenas da vontade da administração municipal, que ainda parece estar apostando pra ver como vai ficar, buscar esta saída. Falta uma sinalização do Paço Municipal nesse sentido. Por ora, ao francano só resta respirar fundo e enfrentar o trânsito perigoso a partir do centro e nos quatro pontos cardeais da cidade.