O conto pelo jade daquele mar parati (escrito em minúsculas), que deu o segundo lugar à escritora francana Vanessa Maranha, no Prêmio Off Flip de Literatura 2012, chega às ‘bancas virtuais’ (amazon.com.br) através da coletânea homônima ao prêmio. O lançamento oficial ocorreu na última quinta-feira, em Paraty, mas conta com novo evento neste sábado, com debates e saraus. “Não foi possível estar no lançamento”, afirmou Vanessa. “Mas estou muito feliz com a publicação”, completou.
Hoje, vendo seu conto ser novamente publicado (a primeira vez foi em Oitocentos e sete dias, livro lançado pela escritora no último ano) e ao lado de outros tantos premiados, Vanessa relembra como foi receber a notícia da conquista. “Na verdade eu não havia escrito este conto para o concurso. Ele estava engavetado e, quando decidi concorrer, acabei fazendo reformulações. O fato é que o inscrevi e, muito tempo depois, a organização me informou que ele havia sido selecionado. Quase não acreditei!”
Participante assídua da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), onde esteve presente nos últimos três anos, a escritora afirma que o evento em si não chegou a influenciar suas produções, mas que, de certa forma, colaborou como estímulo. “Não necessariamente o evento, mas o fato de estar em contato com o que é contemporâneo vale como influência marcante. Na Flip, conheci e pude conversar com muitos escritores.”
Em entrevista ao Comércio, na última quarta-feira, Vanessa falou sobre sua compulsividade pela escrita e das produções que tem guardadas. De acordo com ela, três livros de contos, além de um romance, já poderiam ser publicados. “Não tenho uma produção disciplinada. Escrevo sempre, nem que seja uma linha. Às vezes saem textos do que é menos inspirador no senso comum: uma frase, um olhar, um rosto que seja, já me serve como inspiração para um conto inteiro.”
O CONTO VENCEDOR
A mansidão que o título pelo jade daquele mar parati pode sugerir, é logo quebrada na leitura do primeiro trecho do conto. A ausência de parágrafos envolve o leitor numa espiral de rotinas costuradas pelo possível e o caótico, forçando uma reflexão sobre a tragédia e a beleza do cotidiano. A concepção em minúsculas do título, segundo Vanessa, representa o recorte de uma frase, como um pensamento rápido vagando, sem ênfase.
“Nesse texto eu sinto que consegui satisfatoriamente algo que acho muito interessante na arte: o espaço em branco, a elipse, aquilo que necessariamente terá de ser preenchido pela sensibilidade do leitor fazendo dele, de certa forma- por que não?- uma espécie de coautor do texto”, disse Maranha ao Comércio, na ocasião do prêmio, em 2012.
A coautoria da qual fala a escritora, fica clara nas diversas situações pelas quais se engendram os personagens. Como em um espelho, o leitor se reconhece no decorrer das linhas. Qualquer um pode ser ou se sentir como Rita, nos abraços libidinosos e furtivos de Antônio; ou como Regina, em um balançar monótono do barco que se obriga a dividir com Beto.
De repente, o que parecia tão adequado, acertado - como a rotina - se transfigura em um monstro no armário. É perturbador... E estimulante.
SERVIÇO
Coletânea Prêmio Off Flip de Literatura 2012
Distribuição: amazon.com.br
Valor: Edição virtual gratuita / R$ 9,63 (+ frete) edição impressa.