A dona de casa Alessandra Fernandes da Silva, 35, precisava de um carro potente e mais rápido para usar em viagens para cidades como Pirassununga (SP), onde morava sua sogra. Então, em junho de 2011, ela vendeu o Gol que possuía por R$ 12 mil, deu R$ 10 mil de entrada em um Corsa Sedan seminovo e financiou em um banco o restante do automóvel. Ela precisa pagar parcelas por mais três anos, e o valor delas - R$ 425 - pesa no orçamento de R$ 1.800 da família de seis pessoas, mas isso não impede Alessandra de sonhar mais alto. “Estou satisfeita com o meu carro, ele não dá problemas mecânicos, mas hoje eu já quero um carro melhor. Tenho em mente adquirir um Vectra seminovo, para que a parcela caiba no meu bolso. Quero sempre estar aprimorando, porque minha vida tem melhorado muito financeiramente nos últimos dez anos”, afirma.
A dona de casa é prova de que a população francana, não importa a sua renda, está adquirindo mais carros. A tendência é comprovada por gerentes de concessionárias. “A classe C está forte no mercado. Ela está comprando muito”, afirma o gerente de vendas da concessionária Vemafre, Frederico Merenda.
O economista Hélio Braga Filho explica que dois fatores explicam a expansão da frota, não só francana mas brasileira: melhorias no mercado de trabalho desde 2003; redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no setor automotivo e a facilidade de se obter crédito. Ele também confirma a declaração de Merenda. “O mercado de trabalho está aquecido, mais empregos são gerados e os salários estão aumentando. Isso fez com que a classe C pudesse pagar o financiamento de um veículo, e, em alguns casos, até um zero quilômetro.”