08 de julho de 2026

O campeão voltou


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O Brasil está, sem dúvida, vivendo um momento mágico. O povo acordou de um sono profundo e quer resgatar a verdadeira cidadania. Quer ter o direito de exigir melhor qualidade de vida e quer participar da prosperidade econômica tão cantada e decantada. A nação espera que ela - a prosperidade - seja repartida entre todos, especialmente entre aqueles que desde sempre estiveram engrossando as fileiras dos excluídos.

O País também se reencontrou com sua seleção de futebol. Sim, desde a final da Copa de 2002, quando o Brasil enfrentou e venceu, com autoridade, a poderosa Alemanha, conquistando o pentacampeonato mundial, não assistimos a empolgação tão grande de nosso povo com a seleção. Foi, inegavelmente, a do confronto com a Espanha, noite memorável para todos os brasileiros.

Os jogadores espanhois, protagonistas e temidos por todos, foram relegados à condição de coadjuvantes. O brasileiro, já de algum tempo, questionava se ainda éramos o melhor futebol do mundo, se continuávamos o celeiro de grandes craques de futebol.

Pelo visto, podemos continuar sendo. A volta por cima aconteceu no 30 de junho, no novo Maracanã, o eterno ‘Templo do Futebol’. A disputa foi empolgante. Melhor, foi emocionante. Vencemos os poderosos bicampeões a Eurocopa, os atuais campeões mundiais, seleção invicta e também líder do ranking da FIFA há vários anos.

Quando os vinte e dois jogadores entraram no gramado do Maracanã, tive a nítida sensação - não posso negar - que a era a reedição da bíblica disputa entre o pequeno Davi (a Seleção Brasileira), e o gigante Golias, o time espanhol. Talvez naquele instante tenha revivido o nosso antigo ‘complexo de vira-latas’, expressão famosa cunhada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues.

Eles, os espanhóis, eram favoritos. Afinal todos reconhecem que têm o melhor toque de bola, quase como que ditado pelo ritmo de um relógio. Porém, já aos dois minutos do jogo, o Brasil inteiro teve a sensação de que a história podia ter um desfecho diferente daquele esperado pelo mundo da bola.

E não é que vencemos e convencemos? Restabeleceu-se a mística do futebol brasileiro. A camisa canarinha, de tão grande tradição, reconquistou seu lugar de direito, refez-se a hierarquia no futebol.

O semblante do treinador e dos jogadores espanhóis, ao final do massacre, indicou claramente ao mundo que eles não cogitavam, sob nenhuma hipótese, perder a Copa das Confederações, a única competição ainda não vencida pela Seleção Espanhola. A pátria calçou novamente as chuteiras e o povo declarou ao mundo, com ufanismo, porém, sem a conotação de ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’ de outros tempos, que ‘o campeão voltou, segura que eu quero ver’!

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca