Já está sendo chamado de ‘pré-sal caipira’ o potencial de exploração de argila descoberto há quatro anos na região Oeste do Estado e que setores produtivos e governamentais tentam agora viabilizar economicamente
Na semana passada, a cidade de Presidente Epitácio promoveu discussão estadual sobre o Arranjo Produtivo Local (APL) que vai explorar a jazida, inicialmente avaliada em cerca de 135 milhões de toneladas. O projeto envolve 180 empresas, responsáveis por cerca de 3 mil empregos diretos e 5 mil indiretos. A extração da matéria-prima será voltada à fabricação de blocos, lajes e telhas e poderá se transformar em um importante fator de desenvolvimento da região.
Em 2009, o Instituto de Pesquisas Tecnológicos (IPT), ligado à USP, divulgou a descoberta em Panorama, a 688 quilômetros da capital, do que seria a quarta maior reserva de argila do Brasil. A quantidade seria suficiente para abastecer o setor em toda a região por 85 anos, segundo o órgão. A matéria-prima encontrada possui grande espessura da camada de minério e pequena espessura da camada de solo que cobre o minério, o que a torna muito atrativa para as minas produtoras de argila para a indústria cerâmica.
A reserva é dividida entre dois campos localizados nos municípios de Castilho e de Presidente Epitácio. Cerca de R$ 350 mil foram investidos nos estudos técnicos iniciais. Os levantamentos incluíram o reconhecimento geológico das áreas, sondagens e coleta de amostras e a caracterização tridimensional dos depósitos. Foram realizados 305 furos, além de aferição do tamanho dos grãos, ensaios cerâmicos, análises químicas e raio-X. As informações levaram à elaboração de mapas e relatório final.
A região do vale do Rio Paraná abriga historicamente centenas de pequenas e microempresas vocacionadas à produção de peças de cerâmica vermelha. Com a construção da usina hidrelétrica Sérgio Motta e o enchimento do reservatório de Porto Primavera, as águas cobriram as jazidas de argila tradicionalmente lavradas pelos ceramistas locais, o que inviabilizou seu uso. A partir daí, o abastecimento vinha sendo feito por meio do estoque edificado em local seco, mas este encontra-se em vias de exaustão, colocando em risco a atividade ceramista da região atingida. O entrave fez acelerar os estudos que levaram à formulação do “APL da argila”.
Participaram do encontro em Presidente Epitácio representantes da Cetesb, Cesp, Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério das Minas e Energia, Procuradoria da República, Promotoria de Justiça, o especialista Paulo Massaru, empresários de olarias no Estado e lideranças políticas regionais. “Temos a preocupação de preservar a natureza, porém, há a necessidade da manutenção do emprego e renda dos trabalhadores. Que tudo seja de maneira sustentável”, afirmou o deputado estadual Ed Thomas (PSB), que tem base eleitoral na região de Presidente Prudente.
Metropolitanas
Audiência na Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano foi realizada para tratar da criação da Região Metropolitana de Ribeirão Preto. O secretário Edmur Mesquita e o vice-presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), Luiz José Pedretti, expuseram os estudos em andamento. A transformação do polo em Região Metropolitana é um passo oficial que objetiva captar recursos e agilizar projetos integrados entre os municípios, a exemplo do que ocorre com a Região Metropolitana da Grande São Paulo. As prioridades da futura região de Ribeirão Preto são a internacionalização do aeroporto e a restauração do transporte ferroviário, com foco no agronegócio.
Sorocaba também se mexe nesse sentido. Deverá promover um seminário no dia 9 de agosto, com prefeitos e vereadores dos 22 municípios convidados a compor a Região Metropolitana de Sorocaba, para discutir conceitos e impactos em diversas áreas, como a saúde, transporte e meio ambiente.
Memória
Em missa celebrada no último domingo, 30, na Capela de Santa Cruz, no bairro paulistano de Santana, o vigário episcopal para as Comunicações da Arquidiocese de São Paulo, padre Cido (Antonio Aparecido Pereira), reconheceu o erro da Igreja e de toda a sociedade brasileira por ignorar até hoje os feitos científicos do padre Roberto Landell de Moura e pediu perdão a Deus e ao próprio Landell. Movimento liderado pelo site Jornalistas & Cia defende o resgate histórico para que o padre e cientista gaúcho, falecido em 1928, seja reconhecido como o inventor do rádio. A Landell são atribuídas também outras invenções.
Breves
• A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa aprovou parecer favorável ao projeto de lei que assegura a incorporação de serviços de odontologia nos hospitais públicos estaduais.
• O BNDES aprovou US$ 230 milhões para o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) instalar unidade na usina em São Manuel que produzirá álcool de segunda geração. A planta será inaugurada em 2014.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br