A população não pode continuar sendo enganada, mesmo depois das várias manifestações de descontentamento para com a classe política
O governo, ao divulgar que convocará um plebiscito para efetuar a reforma política, apenas tenta protelar qualquer modificação contrária aos interesses de perpetuação no poder. Efetuando primeiro o plebiscito, e não reformas através de emendas constitucionais, com certeza as reformas não irão valer para as eleições de 2014. Mais uma vez, a população será ‘enganada’ por manobras políticas.
A história das nações é antes de tudo, a história de seus políticos, que carregam nas mãos os sentimentos do povo, sua representação e liderança. Um antigo texto teológico, atribuído a Hermes Trismegisto, diz que o verdadeiro milagre é o homem. E o homem, na visão de Aristóteles, é um animal político. Retire-se do homem a política e ele voltará à condição primitiva: sem palavras, sem capacidade criadora, exposto a todos os perigos, igual aos outros animais que vivem em bandos reduzidos, e com eles disputando os recursos elementares da vida, perdendo a capacidade do convívio enriquecedor que é o de viver em sociedade.
Ressaltamos a necessidade da implantação do voto distrital, para que, qualquer que seja o número de candidatos de uma região, não fique sem representante na Câmara dos Deputados como hoje. Também há que se tomar cuidado com a implantação das chamadas ‘listas partidárias’, pois são temerárias, principalmente pelas ‘lideranças’ partidárias existentes em nosso país.
Acreditamos que para o mesmo cargo eletivo, no máximo, poderia ser admitida uma eleição e uma recondução, ou seja, algum cidadão poderia, no máximo, exercer a vereança por dois mandatos, o que valeria também para deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos, governadores e presidentes. Assim, se foi um bom vereador por dois mandatos, pleitearia uma eleição para deputado etc., mas não poderia novamente pleitear a vereança. Dois mandatos é prazo mais do que suficiente para que alguém possa, efetivamente, colocar seus serviços à disposição da comunidade. Evitaria o continuísmo, a profissão política e principalmente a troca de favores. Quando eleito deveria cumprir todo o mandato e não poderia abandonar o mandato para disputar outra eleição intermediária. Igualmente, não podemos aceitar votações secretas. Temos o direito de saber quais foram os votos proferidos pelos nossos representantes.
Para que uma reforma política atenda aos anseios mínimos da população brasileira, não deveria ser conduzida por políticos (senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores). Se assim acontecer, certamente não irão mexer nos pontos essenciais. Não querem perder regalias e privilégios que cargos legislativos lhes proporcionam. A reforma política, em nossa opinião, deve ser conduzida pela sociedade, através de cidadãos sem vínculo político partidário, pessoas conhecedoras da administração pública, de bem, e idealistas. Na atualidade vemos que os cidadãos de bem estão indignados, desanimados e com sensação de impotência frente a tantos desmandos. Não podemos sucumbir às manobras políticas – tais como um ‘plebiscito’– e continuar buscando as mudanças essenciais para uma vida harmônica em sociedade, para que, pelo menos, possamos deixar para as futuras gerações uma vida ética diferente da que vivemos atualmente.
É chegado o momento da sociedade apresentar seu projeto de mudanças e exigir que a reforma política seja efetuada nos moldes em que a população anseia, e não como os ‘políticos profissionais’ entendem ser melhor para alcançar seus objetivos, principalmente de perpetuação na vida política nacional.
Enfim, a construção de uma nação é feita pelo seu povo. Somos mais de 190 milhões de brasileiros. Juntos, podemos e devemos mudar a visão que o mundo tem de nosso país, que é a de um país onde prevalece a corrupção em todos os sentidos. É hora dos cidadãos dizerem ‘não’ ao plebiscito!
A VOLTA DO 190
É impressionante como o Estado, na ânsia de cortar gastos, mesmo com a alta arrecadação tributária, desestrutura o que está funcionando bem. É o caso do atendimento a chamadas para o número 190, da Polícia Militar, que foi retirado de Franca e levado para Ribeirão Preto. Temos que parabenizar o vereador Marco Garcia pela iniciativa de buscar o retorno do atendimento para que seja realizado em Franca. A propósito, tal medida deveria ter sido firmemente questionada por nossos deputados quando ocorreu a mudança. Desde a mudança, vemos cidadãos reclamando contra o atendimento. Foi, porém, sé depois que algumas ‘autoridades’ sofreram com a demora do atendimento é que as reclamações começaram a ser ouvidas. A falta de efetivo não pode ser aceita como argumentação, pois todos nós pagamos altos tributos para ter segurança.
Que o Estado-membro faça concursos públicos e emposse o número de policiais e atendentes necessários para dar atendimento à população. Se formos analisar com mais profundidade, verificaremos que há gastos em outras áreas, que não são essenciais. É triste verificar que o Estado sequer possui um prédio em condições adequadas para a implantação de um distrito policial. Para tais instalações sempre é o município que arca com aluguel de imóvel que, simplesmente, não possui estrutura mínima necessária para abrigar posto policial. Mais grave ainda é vermos alguns Estados-membros terceirizando os atendimentos do 190.
OS 98 ANOS DESTE ‘COMÉRCIO’
O 30 de junho, significativa data, mais uma vez, foi comemorada com edição especial que nos fez rememorar fatos e datas. Como sempre dissemos em tais ocasiões, relembramos fatos de nossa infância e a influência do jornal em nossa formação como cidadão. Parabéns à família Comércio da Franca.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br