Um grupo de assentados da Fazenda Boa Sorte, em Restinga, interditou na manhã de ontem a rodovia Cândido Portinari para reivindicar mais atenção dos governos municipal, estadual e federal. O bloqueio ocorreu nos dois sentidos no quilômetro 379, próximo ao pedágio de Restinga, e teve a duração de três horas. Os manifestantes só deixaram a pista após a Polícia Militar Rodoviária conseguir intermediar uma reunião com representantes dos órgãos ligados à questão da terra.
A interdição começou por volta das 10 horas, quando cerca de 70 integrantes de movimentos ligados à reforma agrária ocuparam as duas pistas da rodovia. Com cartazes, palavras de ordem e bandeiras do Brasil, os assentados apresentavam uma série de reivindicações nas três esferas, entre elas a anistia de dívidas com o governo federal, liberação de créditos para produção e habitação, a aprovação de projetos e mais investimentos dentro do assentamento (leia texto nesta página).
Segundo Ana Valério, presidente de uma das associações presentes no ato, o maior desejo é “ser escutado” e conseguir escoar a produção. “Estamos com a produção parada, porque o governo não libera o dinheiro. As verduras e legumes estão se perdendo.”
Inicialmente o bloqueio foi feito simultaneamente nas duas pistas e só ambulâncias e carros com pessoas doentes eram liberados. Após negociação com a Polícia Rodoviária, o grupo passou a alternar a interdição nos sentidos, Franca e Ribeirão Preto. Em média, as paralisações duravam cerca de 20 minutos e atingiam um quilômetro de congestionamento.
“Assustei quando vi os veículos parados. Não esperava que esse tipo de manifesto em rodovia chegasse até aqui”, disse a dona de casa Maristela Lima, que ficou parada no carro no sentido Franca.
O médico aposentado José Teodoro Pimenta também se espantou com o ato no trajeto para Franca e condenou o bloqueio. “Atrapalha quem tem compromissos. A gente não tem ligação com esses movimentos e acaba pagando por isso.”
Para o coordenador do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-terra), Vilmar da Silva, os assentados também têm direito a fazer suas manifestações e merecem ser tratados com igualdade. Pacífico, o movimento foi acompanhado pela Polícia Militar Rodoviária e pela concessionária Autovias, que sinalizou a pista.
Após pedido dos manifestantes, o tenente Cláudio Ferreira da Silva, comandante da Base da Polícia Rodoviária de Franca, conseguiu intermediar uma reunião com representantes do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Com o encontro pré-agendado, os manifestantes deixaram a rodovia às 13 horas, após três horas de protesto. A reunião deve ocorrer ainda nesta semana, caso contrário, o grupo ameaçou voltar a interditar a rodovia, sem previsão para liberação.
Veja as imagens do protesto: