Observando as reivindicações das passeatas, principalmente as organizadas (?) em Franca, por minha proximidade com elas, chega-se a uma conclusão praticamente impensável há pouco tempo: o povo, notadamente classe média, que há bem pouco tempo mostrava um perfil inconfundivelmente capitalista, até mesmo capitalista selvagem, passa a ‘exigir’ do poder público itens que nada deixam a desejar na pauta socialista. Querem transporte subsidiado, pedágio subsidiado, educação subsidiada, saúde idem, segurança mais ainda, e por aí vai. Subsídio supõe gasto a ser bancado pelo governo, com a distribuição daquilo arrecadado com impostos. Nada tenho contra, muito pelo contrário, levando-se em conta que, de um modo geral, é o que acho mais justo mesmo. O irônico é constatar que nos bares que frequento, local de trabalho, família ... os que sempre defenderam a iniciativa privada como remédio para todos os males da economia, agora defendem toda essa pauta que vem da rua, alucinados com preço do transporte, pedágio, etc. Que bom, quem sabe, se as coisas continuarem assim, inconscientemente acabamos num socialismo humanitário. Eu acredito na reciclagem das gerações e através dela a depuração do sentido da palavra ‘democracia’. Vamos torcer para que os filhos da classe média e de todas as outras classes tenham tanta preocupação no momento do voto, como têm tido para protestar. Desnecessário lembrar que a classe média, na história recente, patrocinou uma ditadura militar, derrubou-a, quando constatou que ela estava matando os próprios filhos, mobilizou as ruas com ‘diretas-já’ e derrubou um presidente. Para aqueles que continuam contaminados com o lodo do comodismo, vamos torcer para que, pelo menos, não atrapalhem.
Mirto Felipin
Franca - SP