Um juiz de Direito é agredido na porta de casa, liga para o 190 e aciona a polícia. Entre outras perguntas, o atendente quer saber até o nome do agressor. Um delegado está tomando café no posto Galo Branco quando vê um motorista embriagado dirigindo perigosamente. Ele liga para o mesmo 190 pedindo reforço para tentar impedir que o bebum provoque uma tragédia. O policial do outro lado da linha pede um ponto de referência. Em ambos os casos, quando as viaturas foram despachadas já era tarde. As recentes ocorrências envolvendo autoridades de Franca são apenas dois exemplos que confirmam na prática um transtorno enfrentado pelas pessoas que precisam do socorro da Polícia Militar. Por mais que oficiais da PM tentem negar, a mudança do telefone de emergência representou um tiro no pé das vítimas da bandidagem. A Câmara de Vereadores promete pressionar para recuperar o serviço.
O Copom (Comando de Operações da Polícia Militar), onde são recebidas todas as ligações feitas ao 190, foi transferido para Ribeirão Preto em abril. Segundo a PM, a mudança foi feita em caráter experimental e não causaria prejuízo aos cidadãos. Na teoria, a ocorrência seria digitada e despachada online para os policiais de Franca.
Na prática, não é o que acontece. Durante visita à Câmara, uma semana após a transferência do 190, a major Silvana Souza admitiu problemas, como a demora na resposta, e disse aos vereadores que medidas seriam tomadas para agilizar o atendimento. Dois meses se passaram e as críticas ao atendimento se intensificaram. “A mudança foi extremamente prejudicial. A população em geral está reclamando. Além da demora, não são raras as vezes em que o atendimento não é prestado por desencontro nas informações repassadas pela central”, disse o vereador e delegado de Polícia Civil Daniel Paulo Radaeli (PMDB).
Ele era o delegado que estava no conhecido posto quando viu o motorista embriagado e se indignou quando o atendente do 190 pediu um ponto de referência. “Qualquer policial de Franca saberia onde é o local e despacharia uma viatura na hora.”
Na opinião do experiente policial, o telefone de emergência em Ribeirão não atende às necessidades de Franca. “No momento em que estamos correndo atrás do videogeomonitoramento para integrar as Polícias Civil, Militar e a Guarda Civil e melhorar a segurança em nosso município, o Copom em Ribeirão está indo na contramão do atendimento ao público.”
QUESTIONAMENTO
Na sessão da Câmara Municipal desta terça-feira, será votado um requerimento cobrando explicações do comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Benedito Roberto Meira. No documento, os vereadores pedem pelo retorno do 190 para Franca. “A população está perdendo muito com a mudança. Os atendentes não conhecem a realidade de Franca e se perdem em perguntas, enquanto ficamos à mercê dos bandidos. Espero que os nossos deputados entrem nesta luta e ajudem a trazer o 190 de volta. Chega de perder tudo para Ribeirão Preto”, afirmou o vereador Marco Garcia (PPS).