Por Cassiano Lazarini
Eu estava trabalhando no período da noite em 20 de outubro de 2010, uma quarta-feira até então tranquila. Na redação do Comércio, tinha apenas uma pauta programada às 19 horas, para fotografar uma palestra. Tudo estava indo bem, quando, como em todo jornal, tudo pode fugir do planejado. O repórter policial Barros Filho me acionou para cobrir um assassinato que acabara de acontecer em um bairro próximo à sede do GCN, no Jardim São Luiz II. Fomos para o local dos fatos imediatamente.
Chegando na avenida Major Elias Motta antes do resgate, me deparei com um corpo no meio da rua, cercado por muitas pessoas e rodeado de sangue. Para mim isso já seria uma cena muito forte, já que a vítima, o comerciante Antônio César da Silva Nascimento, 28, havia levado nove tiros de dois marginais em uma moto. Mas, infelizmente, a família da vítima chegou muito rápido ao local e, quando me dei conta, a mãe do rapaz já estava em cima do corpo do filho, aos prantos.
Nunca tinha presenciado uma cena assim em toda a minha vida e isso foi muito forte pra mim. Sou de uma família muito unida e ver aquela mãe chorar e sofrer pela perda do seu filho foi de apertar o coração.
No momento não sabia muito bem como lidar com aquela situação. Deveria fotografar a mãe em seu momento de desespero? Deveria respeitar seu momento? Infelizmente, em nossa profissão de fotógrafo, não podemos nos dar o luxo de tentar ignorar os fatos e emoções dos personagens. Então, na mesma hora, comecei a fotografar.
A cena era muito triste, com a mãe a todo momento chamando pelo nome do filho, como se o jovem estivesse dormindo e ela quisesse acordá-lo. Até o momento do resgate chegar, parece que se passaram horas para mim, devido a tanto sofrimento da mãe sobre o corpo do filho e os policiais tentando tirá-la dali.
Trabalhar nesse homicídio foi uma das situações mais difíceis da minha carreira nesses nove anos de Comércio. Ver o desespero de uma mãe pela perda de um filho me marcou muito. Espero nunca mais ter que enfrentar uma situação dessas, mas, no jornalismo, nunca se sabe o dia de amanhã.