05 de abril de 2026

A imprensa e a verdade


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Atendendo a pedido da redação do Comércio da Franca, desejo relatar algo mais direto às comemorações de 98 anos de sua fundação. O tempo passa a influenciar em tudo que temos, fazemos e vivemos. Aqueles que, de forma simples, publicaram a primeira edição desse jornal, estão contemplando a sua trajetória atual na casa do céu. É importante relembrá-los com gratidão. Ao longo dos 98 anos que se comemora outros se agregaram até chegar ao patamar em que se encontra: todos devem ser cumprimentados com gratidão.

Para um veículo de comunicação, comemorar 98 anos não significa que envelheceu, pois, a comunicação é uma arte que se renova todos os dias pelas novidades que publica.

Rui Barbosa, na conferência A Imprensa e o dever da Verdade, pediu: “A Verdade antes de tudo, senhores”. Rui nunca chegou a pronunciar esta conferência de viva voz; já estava muito doente naquele ano de 1920.

A sua intenção era atacar a corrupção que dominava a imprensa e fazer um chamamento aos princípios éticos que devem sempre nortear a vida do jornalista. Rui era jornalista também e muito se orgulhava dessa profissão.

Ele afirmava que, para o jornalista, o princípio fundamental, e do qual não pode abrir mão, é o que chamava de “amor de verdade”. A verdade caríssima deve estar acima do amor da pátria e do amor da liberdade e, hoje, das razões de Estado.

E como anda, nos dias de hoje, o respeito à verdade na imprensa brasileira? Parece, infelizmente, que não é lá grande coisa, sobretudo na chamada “grande mídia”.

A verdade sempre teve uma grande inimiga: a corrupção. Em contraposição a esta situação, a imprensa, quando é livre, imparcial e objetiva é, segundo Rui Barbosa, a vista da Nação que enxerga, o que malfaz, devassa o que lhe ocultam e trama, colhe o que lhe sonegam e roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam.

O caráter essencial do jornalismo é buscar constantemente notícias, com responsabilidade, independência, verdade, exatidão, imparcialidade e honestidade.

Acredito ser necessário acrescentar mais um elemento: o direito à resposta. O lamento daqueles que se sentem vítimas da imprensa é não obter o mesmo espaço concedido à acusação.

Outro perigo é possuir “dois pesos, duas medidas” ao se tratar de um assunto com características semelhantes. Nunca é salutar anunciar alguma coisa apimentadamente como fruto de quase vingança ou tentando prejudicar a imagem de pessoas ou instituições.

A verdade é pura e assim cumpre sua tarefa: apurar, revelar e esclarecer.

Durante os 98 anos hoje comemorados, o Comércio da Franca se fez presente na vida dos francanos e de pessoas que residem em lugares distantes saboreando-o através da internet.

Todas as manhãs muitas pessoas percorrem os olhos desde a manchete do dia até os classificados, passando pelas notícias do mundo, da política, dos cadernos culturais, a culinária, as colunas sociais e o esporte.

Conheço pessoas que procuram, em primeiro lugar, a página que contém comunicados de falecimentos e convites de missas. Qual o motivo? Acredito que são pessoas que possuem um coração amoroso e querem se despedir e rezar por aquelas que já partiram para a eternidade.

Já deparei-me, por diversas vezes, com pessoas voltando das compras matutinas com o seu exemplar nas mãos; isso significa que acreditam no que se publica e procuram se atualizar.

Portanto, a responsabilidade da família Comércio da Franca é muito grande. Como disse Rui Barbosa, “amor de verdade”.

Para um jornal vencer é necessário: trabalhar em equipe, um valorizando as capacidades do outro, e que haja sempre respeito amplo e irrestrito.

Agradeço a oportunidade que recebo para repartir “gotas” da Palavra de Deus em cada domingo e pela chamada feita na primeira página.

Parabéns! Vamos caminhar para o primeiro centenário.

José Geraldo Segantin
é pároco da Catedral de Franca