08 de julho de 2026

Deixa arder


| Tempo de leitura: 3 min

Tem gente que gosta e tem gente que odeia. Alguns possuem uma resistência natural e outros uma sensibilidade incrível. Umas parecem fogo em forma de alimento e outras não entregam o efeito desejado. Reza a lenda que “ela nos olhos dos outros é refresco”. Enfim, chega de enrolar e vamos deixa arder.

Ingrediente comum na culinária brasileira, a pimenta possui baixa caloria e um ardor que vem dos capsaicinóides (substâncias que não tem ardor ou sabor, mas agem nas células nervosas da boca causando a sensação de ardência). As pimentas são mais nutritivas que os pimentões e as do tipo vermelho têm um valor nutricional superior às verdades. “Constituem, também, boa fonte de antioxidantes; em uma colher de sopa de pimenta são encontradas vitaminas A (cerca de 70% da recomendação) e C (mais que 100%). As pimentas contém bioflavonóides, pigmentos vegetais que parecem prevenir o câncer e a capsaicina, que pode atuar como anticoagulante”, destaca Marisa Garcia Manochio Pina, nutricionista, docente e coordenadora do curso de pós-graduação em Terapia Nutricional da Unifran.

Pensando na importância da pimenta nas refeições de cada dia, o Se Liga condicionou os mitos e verdades deste ingrediente que faz sucesso em todo o planeta desde 7.000 a.C.


OS MITOS E VERDADES DA PIMENTA

Quem come muita pimenta pode desenvolver hemorroida: MITO.
A ingestão não causa a disfunção, mas pessoas que já desenvolveram não devem consumir pimenta em abundância, pois irrita tecidos inflamados e pioram os sintomas.

A pimenta alivia a congestão nasal e previne coágulos sanguíneos: VERDADE.
Fonte de vitaminas A e C, a pimenta, além de aliviar a congestão nasal, é capaz de prevenir os coágulos sanguíneos que causam ataque cardíaco e derrame cerebral.

Pimenta velha arde mais que nova: VERDADE.
“Uma vez colhida, a pimenta começa a secar. Desta forma, a superfície exterior se aproxima da placenta, onde se concentra a capsaicina, e o mínimo contato das sementes com o tecido placentário é suficiente para contaminá-las com a capsaicina”, explica Marisa. Ou seja: quanto mais seca, mais concentrada é a pimenta.

Consumir pimenta vermelha em excesso não faz mal: MITO.
O ingrediente serve como estímulo à salivação, neutralizando, desta forma, os ácidos da saliva, protegendo dentes, gengivas e a mucosa do estômago contra ulcerações provocadas pela acidez e consumo de álcool. Mas, apesar dos benefícios da pimenta vermelha, é importante ressaltar que a ingestão excessiva pode provocar efeitos contrários aos esperados, sendo prejudiciais ao sistema digestório.

Beber água neutraliza a ardência da pimenta: MITO.
A capsaicina, responsável pela sensação de ardência que a pimenta possui, não é solúvel em água. Sendo assim, bebê-la só espalha o ardor pela boca.

Pimenta faz bem para quem está resfriado: VERDADE.
Quando consumida, a pimenta funciona como expectorante por estimular a mucosa gástrica e aumentar as secreções do sistema respiratório. “Além disso, é uma ótima fonte de vitamina C, o que contribui para nosso sistema imunológico”, ressalta a profissional.

A substância é afrodisíaca: MITO.
A ingestão de pimenta provoca a liberação de endorfina, hormônio do bem-estar, que não tem, necessariamente, relação com o desejo sexual. Apenas os efeitos da pimenta e do sexo que têm semelhança (dilatação dos vasos sanguíneos e aumento do ritmo cardíaco e suor).